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80 Chibatadas: Pai que puniu genro por agredir filha é absolvido pela Justiça

Após mais de uma década de tramitação judicial, um caso que mobilizou a comunidade no interior da Bahia teve seu desfecho em novembro de 2025. Conhecido como “seu Luiz”, o lavrador foi absolvido por unanimidade em julgamento que analisava se ele teria cometido tentativa de homicídio contra o genro, Charles Barreto. O processo teve início após um episódio ocorrido dentro do contexto familiar, envolvendo denúncias de agressões sofridas por sua filha.

De acordo com os autos, o caso começou quando seu Luiz percebeu mudanças no comportamento da filha. Ela passou a usar roupas compridas mesmo em dias de calor intenso, atitude que chamou a atenção do pai. Posteriormente, a esposa dele revelou que a jovem estaria enfrentando episódios de violência doméstica. A situação gerou indignação na família e culminou em um confronto entre o lavrador e o genro.

Conforme relatos apresentados durante o julgamento, ao ser questionado pelo sogro, Charles teria admitido as agressões. Diante da confirmação, seu Luiz reagiu de forma impulsiva e aplicou diversas chibatadas no genro. A defesa sustentou que o ato ocorreu em meio a forte abalo emocional, após a descoberta das agressões contra a filha. O Ministério Público, por sua vez, denunciou o lavrador por tentativa de homicídio, entendimento que levou o caso ao Tribunal do Júri.

Durante a sessão, o réu afirmou que agiu movido pela revolta ao saber do sofrimento da filha. Segundo ele, não houve intenção de tirar a vida do genro, mas de repreendê-lo pelo que considerava uma atitude inaceitável. A defesa destacou que, ao longo de todo o processo, seu Luiz manteve a versão de que sua reação foi consequência de um momento de descontrole emocional diante da situação familiar.

Os jurados analisaram o histórico do relacionamento da filha com o marido e as circunstâncias que envolveram o episódio. O conjunto de depoimentos e provas foi considerado suficiente para que o Conselho de Sentença decidisse pela absolvição do lavrador. A decisão foi unânime, encerrando um processo que se estendia por mais de dez anos e que acompanhou diferentes fases da vida da família envolvida.

Especialistas em direito explicam que o Tribunal do Júri é responsável por julgar crimes dolosos contra a vida, e que cabe aos jurados avaliar não apenas os fatos, mas também o contexto em que ocorreram. No caso em questão, a tese de que não houve intenção clara de matar acabou prevalecendo. A absolvição não significa a validação da conduta, mas sim o entendimento jurídico de que não ficaram comprovados os elementos necessários para a condenação por tentativa de homicídio.

O desfecho reacendeu discussões sobre os limites da reação diante de situações de violência doméstica e sobre a importância de mecanismos institucionais para proteger vítimas. Casos envolvendo conflitos familiares costumam gerar forte comoção social, principalmente quando envolvem pais e filhos. Com a decisão, seu Luiz deixa o tribunal sem condenação, enquanto o episódio permanece como exemplo de como questões familiares podem ganhar contornos complexos no âmbito judicial.

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