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Homem que matou mulher transmitiu execução em videochamada com a irmã

A noite de segunda-feira, 16 de fevereiro, deixou marcas profundas na pequena comunidade de Rio Negrinho, no norte de Santa Catarina. O que começou como mais um dia comum terminou em tristeza e reflexão. A vítima, Pricila Dolla, de 37 anos, foi encontrada sem vida dentro da própria casa, após um episódio que, segundo relatos, foi antecedido por tensão emocional e tentativas de diálogo.

De acordo com informações divulgadas pelo portal Jornal Razão, o ex-companheiro, identificado como Gustavo, de 28 anos, realizou uma videochamada com a própria irmã pouco antes do ocorrido. Durante a ligação, Pricila ainda tentou acalmar a situação. Em vários momentos, suas palavras foram de apelo e tentativa de conexão. Ela pediu que ele respirasse, que olhasse para ela, e buscou tocar seu lado emocional, mencionando fé e esperança.

Esses detalhes revelam algo que muitas vezes passa despercebido em notícias frias: o desespero humano presente em situações de ruptura. Pessoas próximas relataram que o homem não aceitava o fim do relacionamento, um fator infelizmente comum em casos semelhantes registrados nos últimos anos. O término, que deveria ser apenas o encerramento de um ciclo, acabou se transformando em um cenário de sofrimento.

Amigos da vítima acionaram a Polícia Militar de Santa Catarina por volta das 20h, após perceberem sinais de que algo estava errado. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram Pricila caída dentro da residência. O ex-companheiro também estava ferido e foi encaminhado para atendimento médico. Até o momento, não foram divulgadas atualizações oficiais sobre o estado de saúde dele.

A arma utilizada foi apreendida pelas autoridades, e o caso agora está sob responsabilidade da Polícia Civil de Santa Catarina, que conduz as investigações. O episódio foi registrado como feminicídio seguido de tentativa de suicídio, uma classificação que reforça a gravidade da situação e a necessidade de respostas institucionais.

Nos últimos anos, o Brasil tem discutido com mais intensidade a violência contra mulheres. Campanhas de conscientização, mudanças na legislação e maior cobertura da imprensa ajudaram a trazer visibilidade ao problema. Ainda assim, casos como este mostram que o desafio continua presente. Não é apenas uma questão legal, mas também social e cultural.

Em cidades menores, como Rio Negrinho, o impacto é ainda mais sentido. A sensação de proximidade faz com que todos se sintam, de alguma forma, envolvidos. Vizinho conhece vizinho, histórias se cruzam, e o luto ganha um rosto familiar. Não é apenas uma notícia distante — é algo que acontece perto, com pessoas reais, com famílias reais.

Há também um aspecto emocional difícil de ignorar. Pricila era mãe, tinha planos, rotina, responsabilidades e sonhos que faziam parte do seu cotidiano. Sua história, como tantas outras, não pode ser resumida apenas ao momento final. Ela representa uma vida inteira construída com experiências, vínculos e afetos.

Especialistas frequentemente destacam a importância de buscar ajuda em situações de conflito emocional intenso. Conversar com familiares, procurar apoio psicológico e acionar redes de proteção são medidas que podem fazer diferença. O diálogo e o suporte adequado são caminhos essenciais para evitar que momentos de crise evoluam para consequências irreversíveis.

Enquanto as investigações seguem, a cidade permanece em silêncio reflexivo. O episódio reforça uma realidade incômoda, mas necessária de encarar. Mais do que números ou manchetes, trata-se de pessoas. E lembrar disso talvez seja o primeiro passo para que histórias como essa não se repitam.

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