Perigo: Temporais com chuva de 100 mm e ventos de 100 km/h atingem 20 estados

O céu mudou rápido nos últimos dias, e não foi só impressão. Uma nova onda de instabilidade atmosférica colocou grande parte do Brasil em estado de atenção, com previsão de chuva intensa, rajadas de vento e risco de transtornos em várias regiões. O alerta foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que classificou a situação como nível laranja — o segundo mais alto na escala de severidade.
Na prática, isso significa possibilidade de volumes expressivos de chuva em pouco tempo. Em algumas áreas, os acumulados podem chegar perto de 100 milímetros em apenas 24 horas, o que é bastante coisa. Para se ter uma ideia, é o suficiente para transformar ruas em verdadeiros corredores de água, especialmente em cidades com drenagem já sobrecarregada.
Esse cenário não surgiu do nada. No Sul do país, uma nova frente fria começou a avançar e reorganizou as áreas de instabilidade. O resultado já é sentido em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, principalmente no interior e nas regiões mais afastadas do litoral. O vento também chama atenção. Em condições normais, rajadas entre 40 km/h e 50 km/h já são percebidas facilmente, mas há previsão de picos ainda mais fortes em pontos isolados.
Quem vive no campo sente essa mudança com preocupação redobrada. Em fevereiro, muitas lavouras estão em fase decisiva, seja de colheita ou preparação. Chuva excessiva pode atrasar operações, encharcar o solo e dificultar o acesso de máquinas. Estruturas mais leves, como galpões e coberturas, também ficam mais vulneráveis com vento constante.
No Sudeste, o padrão típico do verão continua, mas com um ingrediente a mais: maior intensidade. O calor acumulado ao longo do dia cria o ambiente ideal para a formação de nuvens carregadas. À tarde e à noite, pancadas mais fortes se tornam frequentes, principalmente no interior de São Paulo, no Triângulo Mineiro e em áreas do Rio de Janeiro. A sensação é aquela conhecida de tempo abafado, em que o ar parece pesado e qualquer mudança no vento já indica chuva chegando.
Já no Centro-Oeste, o destaque é a combinação entre calor e umidade elevada. Estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul devem enfrentar temporais típicos desta época. A presença de uma área de baixa pressão próxima ao Paraguai ajuda a intensificar esse quadro, favorecendo a formação de nuvens mais densas e persistentes.
No Nordeste, a atuação da Zona de Convergência Intertropical mantém o tempo instável, especialmente em Maranhão, Piauí, Ceará e partes do Rio Grande do Norte e Bahia. Nessas regiões, a chuva não vem necessariamente com vento forte, mas pode durar mais tempo e acumular volumes significativos ao longo do dia.
A Região Norte também permanece sob influência de muita umidade. Estados como Amazonas, Pará e Rondônia já convivem com chuvas frequentes nesta época do ano, mas o alerta indica que os volumes podem ser ainda maiores nos próximos dias. Isso exige atenção especial em áreas próximas a rios, onde o nível da água pode subir gradualmente.
Diante desse cenário, a recomendação é simples, mas importante: acompanhar a previsão do tempo com frequência. Pequenas mudanças nas condições atmosféricas podem alterar rapidamente o comportamento das tempestades. Evitar abrigo sob árvores durante ventos fortes e desligar aparelhos elétricos em momentos de maior instabilidade são medidas básicas, mas eficazes.
O verão brasileiro sempre foi conhecido por seus extremos, mas este episódio reforça como o clima pode surpreender. Nos próximos dias, o país segue sob atenção, com o céu lembrando que, por aqui, o tempo pode mudar de forma rápida e exigir adaptação constante.





