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O adeus da querida professora Maria Isabel da Cunha

A educação brasileira se despede de uma de suas vozes mais influentes. Morreu no dia 12 de fevereiro, em Porto Alegre, aos 81 anos, a professora Maria Isabel da Cunha, carinhosamente conhecida como Mabel. Reconhecida nacionalmente por sua contribuição à pedagogia universitária, ela construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a formação docente, pela defesa de práticas pedagógicas inovadoras e pelo diálogo constante com a comunidade acadêmica. Sua partida mobiliza universidades, pesquisadores e ex-alunos em todo o país, que destacam o impacto profundo de seu trabalho na qualificação do ensino superior brasileiro.

Ao longo de décadas dedicadas à educação, Maria Isabel da Cunha tornou-se referência quando o assunto era formação de professores universitários. Em um cenário em que o debate sobre a qualidade do ensino superior ganha cada vez mais relevância, suas reflexões ajudaram a redefinir o papel do docente em sala de aula. Para Mabel, ensinar ia muito além da transmissão de conteúdo: era um exercício de construção coletiva do conhecimento, pautado pela escuta, pela ética e pela valorização das experiências dos estudantes. Essa visão contribuiu para transformar práticas pedagógicas e inspirar mudanças institucionais em diversas universidades.

Sua atuação esteve fortemente ligada à pesquisa e à produção acadêmica, com obras e estudos amplamente citados em programas de pós-graduação e cursos de licenciatura. Mabel defendia que a universidade precisava olhar para si mesma, repensando métodos, currículos e processos avaliativos. Em seus textos e palestras, chamava atenção para a importância da formação continuada de professores e para o reconhecimento da docência universitária como campo específico de conhecimento. Essa abordagem inovadora ajudou a consolidar a pedagogia universitária como área estratégica dentro da educação brasileira.

Colegas e ex-orientandos ressaltam não apenas a pesquisadora rigorosa, mas também a mentora generosa e atenta às novas gerações. Ao longo de sua carreira, Maria Isabel da Cunha orientou dezenas de dissertações e teses, contribuindo diretamente para a formação de pesquisadores que hoje atuam em diferentes regiões do país. Seu legado se estende, portanto, muito além das salas de aula e dos livros publicados: está presente nas práticas pedagógicas de profissionais que carregam consigo os princípios e valores que ela ajudou a disseminar.

A notícia de sua morte gerou manifestações de pesar em instituições de ensino e associações científicas. Em Porto Alegre, cidade onde construiu parte significativa de sua trajetória acadêmica, a comunidade universitária relembra seu protagonismo em debates sobre políticas educacionais e qualidade do ensino superior. Para muitos, Mabel foi uma das principais responsáveis por inserir a discussão sobre didática universitária na agenda das universidades brasileiras, ampliando o olhar sobre o processo de ensino e aprendizagem no nível superior.

Em um momento em que o país enfrenta desafios importantes na área da educação, a ausência de uma pensadora como Maria Isabel da Cunha é sentida de maneira ainda mais intensa. Seus escritos seguem atuais ao tratar de temas como inovação pedagógica, avaliação formativa e compromisso social da universidade. Ao defender uma educação mais inclusiva, crítica e comprometida com a transformação social, ela contribuiu para fortalecer a ideia de que a universidade deve dialogar com a sociedade e responder às suas demandas de forma responsável e ética.

A trajetória de Mabel permanece como exemplo de dedicação, seriedade e paixão pela educação. Sua história inspira professores, gestores e estudantes a refletirem sobre o papel do ensino superior na construção de um país mais justo e desenvolvido. Embora sua presença física não esteja mais entre nós, o pensamento de Maria Isabel da Cunha segue vivo nas salas de aula, nas pesquisas e nas políticas educacionais que ajudou a influenciar. O Brasil perde uma educadora de grande relevância, mas ganha um legado que continuará orientando gerações futuras.

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