Padre Fábio de Melo lamenta morte de irmão e se despede: ‘Vai em paz’”

A manhã desta sexta-feira, 20 de fevereiro, começou mais silenciosa para o padre e cantor Padre Fábio de Melo. Conhecido por suas palavras acolhedoras e pela forma sensível com que traduz sentimentos em música e reflexão, ele usou seu perfil no Instagram para compartilhar uma perda profunda: a morte de seu irmão mais velho, Vicente Ferrer.
Não foi apenas um comunicado. Foi uma carta aberta, carregada de memória, saudade e, acima de tudo, reconciliação emocional. O padre relembrou que o nome do irmão nasceu de uma promessa feita por sua mãe a São Vicente Ferrer, padroeiro da cidade de Formiga, onde ele nasceu. Segundo contou, sua mãe pediu ao santo que ajudasse a transformar um casamento arranjado em amor verdadeiro. Se isso acontecesse, prometeu dar ao primeiro filho homem o nome do santo.
E assim aconteceu. O amor veio. E o filho também.
Mas a história entre os dois irmãos foi marcada pela distância. Vicente, ainda adolescente, decidiu seguir um caminho incomum. Fugiu com um circo, depois com um parque de diversões. Era, nas palavras do próprio padre, alguém com “alma nômade”. Esse detalhe, simples e poderoso, ajuda a entender muita coisa. Nem todo mundo nasceu para ficar parado. Alguns carregam dentro de si uma inquietação que não cabe em rotinas previsíveis.
Mesmo com pouco convívio, o vínculo nunca desapareceu completamente. Houve momentos breves, mas significativos. Um deles ficou gravado na memória de Fábio. Em um encontro durante um show numa cidade próxima de onde Vicente vivia, o irmão revelou qual era sua música preferida: “Graças ao Pai”. Pode parecer um detalhe pequeno, mas quem conhece a força das músicas sabe que elas são pontes. Elas dizem o que às vezes falta coragem de falar.
Mais tarde, quando o padre gravou um projeto no Marco Zero, no coração histórico de Recife, fez questão de incluir essa canção. Não por estratégia artística, mas por amor. Por memória. Por um gesto silencioso de conexão.
Na carta publicada agora, ele se despede com uma frase que tocou profundamente seus seguidores: ele acredita que, no céu, será mais fácil andar de mãos dadas com o irmão. É uma imagem simples, mas cheia de significado. Às vezes, o que a vida não permite, a fé acolhe.
Fábio é o caçula de sete irmãos. Sua trajetória pessoal já foi atravessada por perdas difíceis, experiências que ele nunca escondeu do público. Ao contrário, sempre escolheu falar sobre dor com honestidade, transformando sofrimento em reflexão. Talvez por isso suas palavras encontrem eco em tanta gente. Elas não vêm de um lugar distante. Vêm de alguém que vive, sente e tenta compreender.
Nas redes sociais, milhares de pessoas deixaram mensagens de apoio. Não apenas fãs, mas pessoas comuns que se reconheceram naquela dor. Porque perder alguém nunca é algo isolado. Sempre nos conecta com nossas próprias histórias, nossas próprias ausências.
O padre, que tantas vezes ajudou outros a encontrar consolo, agora vive seu próprio processo de despedida. E faz isso da maneira que sabe melhor: com palavras sinceras, fé serena e a esperança de que, em algum lugar além do tempo, os reencontros sejam possíveis.
No fim das contas, sua mensagem não fala apenas de morte. Fala de amor. E amor, como ele mesmo mostra, nunca desaparece completamente. Ele apenas muda de lugar.





