Após decisão da Suprema Corte dos EUA, Trump toma nova decisão que inclui o Brasil; entenda

Em um movimento audacioso que ecoa sua agenda protecionista, o presidente Donald Trump anunciou neste sábado uma elevação das tarifas globais sobre importações para 15%, superando o patamar inicial de 10% estabelecido apenas um dia antes. Essa decisão surge como uma resposta direta à Suprema Corte dos Estados Unidos, que na sexta-feira invalidou o pacote tarifário anterior, considerado uma extrapolação de autoridade executiva. Trump, utilizando sua plataforma Truth Social, defendeu a medida como uma forma de corrigir desequilíbrios comerciais históricos, argumentando que diversos países têm explorado a economia americana por décadas.
A Suprema Corte, em uma votação de 6 a 3, determinou que o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor tarifas amplas era inconstitucional sem a aprovação do Congresso. Essa derrubada representou um revés significativo para a administração Trump, que havia implementado tarifas recíprocas de até 50% em produtos de nações como o Brasil, China e União Europeia. A corte enfatizou a necessidade de limites ao poder presidencial em questões econômicas, reacendendo debates sobre a separação de poderes no governo federal.
Para contornar a decisão judicial, Trump invocou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite tarifas temporárias de até 15% por um período máximo de 150 dias, visando equilibrar o balanço de pagamentos. Essa nova tarifa global aplica-se a praticamente todos os países, com poucas exceções para bens críticos ou acordos pré-existentes, como o USMCA com Canadá e México. A elevação para 15% foi descrita pelo presidente como “totalmente autorizada e legalmente testada”, sinalizando uma escalada em sua estratégia de “América Primeiro”.
O impacto imediato dessa medida reverbera pelo comércio internacional, gerando preocupações sobre uma possível guerra comercial renovada. Países exportadores, dependentes do mercado americano, enfrentam custos adicionais que podem elevar preços ao consumidor e reduzir margens de lucro. Analistas econômicos preveem volatilidade nos mercados globais, com potenciais retaliações de blocos como a União Europeia e a China, o que poderia afetar cadeias de suprimentos em setores como agricultura, manufatura e tecnologia.
No contexto brasileiro, a tarifa de 15% incide diretamente sobre as exportações para os Estados Unidos, representando um custo extra para produtos como soja, café, carne e minérios. Embora inferior às tarifas direcionadas anteriores de até 50%, impostas em retaliação a questões políticas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, essa medida ainda pressiona a economia nacional. O Brasil, como um dos maiores fornecedores de commodities aos EUA, pode ver sua competitividade relativa preservada, mas o aumento tarifário ameaça o superávit comercial bilateral, que tem sido vital para o equilíbrio fiscal.
Reações no Brasil foram mistas: o governo, representado por figuras como o vice-presidente Geraldo Alckmin, considerou a tarifa “menos prejudicial” que as anteriores, enfatizando a importância de diálogos bilaterais para mitigar impactos. Setores como o agronegócio expressaram otimismo cauteloso, destacando que exceções históricas para certos produtos podem amenizar os efeitos. No entanto, especialistas alertam para riscos de inflação interna e redução nas exportações, especialmente em um momento de recuperação econômica pós-pandemia.
Perspectivas futuras indicam que essa tarifa temporária pode ser estendida ou substituída por negociações no Congresso americano, dependendo da pressão de lobistas e aliados internacionais. Trump, conhecido por sua retórica combativa, pode usar essa controvérsia para galvanizar sua base eleitoral, enquanto o mundo observa se essa escalada levará a uma reconfiguração das relações comerciais globais ou a um impasse diplomático prolongado.





