Entenda o tratamento elétrico no cérebro pedido por Bolsonaro

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal um pedido que chamou a atenção não apenas pelo contexto jurídico, mas também pelo aspecto médico envolvido. Os advogados solicitaram autorização ao ministro Alexandre de Moraes para que Bolsonaro possa receber sessões de Estímulo Elétrico Craniano nas dependências do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, local conhecido informalmente como Papudinha.
O procedimento, apesar do nome técnico, é considerado simples e não invasivo. Ele consiste na aplicação de correntes elétricas de baixa intensidade em regiões específicas da cabeça, utilizando eletrodos posicionados próximos aos lóbulos das orelhas. Durante as sessões, que costumam durar entre 50 minutos e uma hora, o paciente permanece acordado e em repouso. Não há necessidade de cirurgia, anestesia ou intervenções complexas.
Nos últimos anos, essa técnica passou a ser estudada com mais atenção por especialistas em saúde mental. Pesquisadores investigam seus possíveis benefícios em quadros como ansiedade, alterações de humor e dificuldades relacionadas ao sono. A proposta é modular a atividade cerebral de forma leve, ajudando o organismo a recuperar o equilíbrio neurofisiológico.
No caso específico de Bolsonaro, a defesa afirma que ele já passou pelo tratamento anteriormente, durante uma internação realizada em abril de 2025. O acompanhamento foi conduzido pelo psicólogo e neurocientista Ricardo Caiado, que orientou o uso da técnica como parte de uma abordagem terapêutica mais ampla.
Segundo os advogados, os resultados iniciais foram considerados positivos. Eles relatam que, nos primeiros dias de aplicação, houve melhora na qualidade do sono e redução de sintomas relacionados à ansiedade. Outro ponto mencionado foi a diminuição de episódios de soluços persistentes, um quadro que já havia sido informado anteriormente às autoridades judiciais e vinha sendo tratado com medicamentos que atuam diretamente no sistema nervoso central.
Essas informações foram incluídas na petição enviada ao Supremo. No documento, a defesa argumenta que a continuidade do tratamento pode contribuir significativamente para a estabilidade do estado geral de saúde do ex-presidente. A avaliação apresentada sustenta que a técnica pode ajudar no controle de múltiplos sintomas e melhorar o bem-estar.
O pedido agora depende da análise e autorização do ministro Alexandre de Moraes, responsável por conduzir decisões relacionadas ao caso. Esse tipo de solicitação não é incomum quando envolve tratamentos médicos considerados importantes para a saúde de um paciente sob responsabilidade do sistema judicial.
Além do aspecto jurídico, o tema também levanta discussões sobre os avanços das terapias neurológicas modernas. Nos últimos anos, tratamentos que utilizam estímulos elétricos leves vêm sendo explorados como alternativas complementares aos métodos tradicionais. Eles não substituem necessariamente os medicamentos, mas podem atuar em conjunto, ampliando as possibilidades de cuidado.
Para o público em geral, o assunto pode parecer distante, mas reflete uma tendência crescente na medicina contemporânea: o uso de tecnologias menos invasivas e mais direcionadas. O objetivo é oferecer tratamentos mais personalizados, respeitando as necessidades específicas de cada paciente.
Enquanto o Supremo avalia o pedido, o caso segue sendo acompanhado com atenção tanto no meio jurídico quanto no campo médico. Independentemente do desfecho, ele evidencia como saúde e Justiça, em determinadas situações, caminham lado a lado.
Em um cenário onde decisões legais e cuidados médicos se cruzam, o foco permanece na avaliação técnica e na garantia de que qualquer medida adotada esteja alinhada com critérios científicos e legais. É nesse ponto que se encontram as respostas que todos aguardam.





