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Justiça Final: STF dá veredito e encerra mistério sobre quem mandou matar Marielle

Quase oito anos após a noite que marcou de forma definitiva a política brasileira, o caso que envolve o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes chega a uma etapa decisiva. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal marcou para os dias 24 e 25 de fevereiro o julgamento dos acusados de terem ordenado o crime e de participado de sua articulação. A expectativa é alta, não apenas pela gravidade do caso, mas pelo simbolismo político e institucional que envolve a responsabilização de figuras públicas.

Serão analisadas as condutas de Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro; de seu irmão, Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; e do delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil fluminense. Também respondem à ação penal o ex-major da Polícia Militar Ronald Paulo de Alves Pereira e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão. A Procuradoria-Geral da República sustenta que os réus integravam uma estrutura organizada com interesses políticos e econômicos na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

O caso é julgado no STF devido à prerrogativa de foro de Chiquinho Brazão, que exercia mandato parlamentar quando foi preso em 2024. Se não fosse essa condição, o processo poderia tramitar no Superior Tribunal de Justiça. A sessão será conduzida pelo presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino, com relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Após a leitura do relatório, a acusação terá espaço para sustentar suas alegações, seguida pelas defesas dos cinco réus.

Familiares das vítimas acompanharão o julgamento em Brasília. Entre os presentes estarão a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, além de outros parentes e representantes do Instituto Marielle. Para a família, o momento representa não apenas a busca por justiça, mas a consolidação de uma resposta institucional diante de um crime que gerou protestos no Brasil e no exterior.

Segundo a denúncia da PGR, a motivação estaria relacionada a disputas fundiárias e à atuação política de Marielle, conhecida por sua defesa dos direitos humanos e por críticas à atuação de grupos armados na cidade. As investigações conduzidas pela Polícia Federal ganharam novo impulso após a federalização do caso, com acordos de colaboração premiada firmados pelos executores já condenados. Esses depoimentos serviram de base para apontar os supostos mandantes e articuladores.

As defesas dos acusados negam as imputações e sustentam que não há provas suficientes para condenação. Advogados argumentam que as acusações se baseiam, em grande parte, em delações que precisariam de confirmação independente. Durante a fase de instrução, os réus afirmaram não ter envolvimento com o planejamento do crime. Caberá agora aos ministros avaliar as provas reunidas ao longo dos anos de investigação.

A decisão da Primeira Turma poderá representar um marco na história recente do país. Para muitos, o julgamento simboliza a capacidade das instituições de enfrentar casos complexos que envolvem poder político e estruturas de influência. Independentemente do resultado, o desfecho desse processo será acompanhado com atenção pela sociedade brasileira, que há quase oito anos se pergunta não apenas quem executou, mas quem ordenou o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

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