Michelle rebate Lula após fala sobre desfile: “Anuência da chacota”

O carnaval brasileiro, conhecido por sua mistura de cores, ritmos e emoções, voltou a se cruzar com a política — algo que, nos últimos anos, tem acontecido com cada vez mais frequência. Desta vez, o centro da discussão envolve a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após um desfile que gerou elogios de um lado e fortes críticas de outro.
Tudo começou quando a escola de samba Acadêmicos de Niterói apresentou um enredo que homenageava Lula. O desfile aconteceu no tradicional Sambódromo da Marquês de Sapucaí, palco onde histórias, personalidades e temas sociais costumam ganhar vida todos os anos. No entanto, uma ala específica chamou atenção: integrantes fantasiados como latas de conserva representavam o que o enredo descreveu como “neoconservadores”.
A apresentação provocou reações intensas, especialmente entre grupos religiosos e setores mais conservadores. Nas redes sociais, imagens e vídeos circularam rapidamente. Em poucas horas, o tema já estava entre os mais comentados no Brasil, mostrando como o carnaval continua sendo um reflexo direto das tensões e debates da sociedade atual.
Questionado sobre o assunto enquanto cumpria agenda internacional na Índia, Lula afirmou que não teve participação na criação do desfile. Segundo ele, a homenagem partiu exclusivamente da escola de samba. O presidente ressaltou que não é carnavalesco e que não interferiu no desenvolvimento do enredo ou na construção dos carros alegóricos. Ainda assim, agradeceu pela lembrança, classificando a homenagem como significativa.
A resposta, porém, não convenceu Michelle Bolsonaro. Em suas redes sociais, ela expressou indignação e afirmou que o presidente deveria ter se posicionado contra o que considerou uma representação desrespeitosa à fé cristã. Evangélica e figura influente entre esse público, Michelle destacou que a liberdade cultural não deveria ultrapassar os limites do respeito religioso.
Aliados da ex-primeira-dama, muitos ligados ao Partido Liberal, também criticaram o episódio. Do outro lado, apoiadores de Lula, filiados ou simpatizantes do Partido dos Trabalhadores, defenderam o direito à expressão artística e afirmaram que o carnaval sempre foi um espaço de crítica social.
O episódio acontece em um momento em que o Brasil ainda vive um clima político sensível, reflexo das eleições recentes e das transformações no cenário nacional. O carnaval, que para muitos é apenas festa, também é visto como espaço de reflexão e manifestação cultural.
Para completar, a situação da escola também trouxe outro elemento à história. Após a apuração, a Acadêmicos de Niterói acabou rebaixada para a Série Ouro, divisão inferior do carnaval carioca. A notícia foi recebida com frustração por integrantes e simpatizantes, especialmente considerando a expectativa que havia em torno do desfile deste ano.
Moradores de Niterói, cidade de origem da escola, comentaram nas redes que, independentemente das polêmicas, o trabalho envolveu meses de dedicação. Costureiras, músicos e voluntários trabalharam intensamente para colocar o desfile na avenida. Esse esforço coletivo é uma das características mais marcantes do carnaval brasileiro.
No fim das contas, o episódio reforça algo que já ficou evidente nos últimos anos: cultura, religião e política continuam profundamente conectadas no Brasil. O carnaval segue sendo um espelho do país — com suas diferenças, paixões e debates.
Entre aplausos e críticas, fica claro que o desfile não terminou quando as luzes da Sapucaí se apagaram. Pelo contrário, ele continuou nas conversas, nos celulares e nas opiniões de milhões de brasileiros, mostrando que, no Brasil, até o samba pode virar assunto nacional.





