“Gás do Povo”: Nikolas Ferreira ataca programa do governo Lula

A visita do deputado federal Nikolas Ferreira ao ex-presidente Jair Bolsonaro, realizada no último sábado (21), em Brasília, acabou repercutindo muito além dos muros do Complexo Penitenciário da Papuda. O encontro, que inicialmente parecia apenas um gesto de apoio pessoal e político, rapidamente se transformou em um novo capítulo das tensões públicas envolvendo aliados e familiares do ex-presidente, além de reacender debates sobre políticas sociais do governo atual.
Ao deixar o local, Nikolas conversou com jornalistas e criticou diretamente o programa “Gás do Povo”, iniciativa voltada a famílias de baixa renda. Em tom de questionamento, ele disse que o governo poderia adotar outras medidas, como a redução de impostos sobre o gás de cozinha, em vez de criar um novo benefício. Para o deputado, a solução estaria mais na diminuição de custos do que na criação de programas assistenciais.
O “Gás do Povo” é uma ampliação de políticas já existentes e deve alcançar cerca de 15 milhões de famílias em todo o país. Na prática, isso representa aproximadamente 50 milhões de brasileiros. O foco são famílias que já fazem parte do Bolsa Família e que atendem a critérios como renda mensal limitada e cadastro atualizado no Cadastro Único. A proposta surge em um momento em que o custo de vida ainda pesa no bolso de muitos brasileiros, especialmente em itens básicos do dia a dia.
Esse debate não acontece no vazio. Em várias cidades, inclusive em capitais como Porto Alegre, é comum ouvir conversas em filas de mercado ou no transporte público sobre o preço do gás e da energia elétrica. Para muita gente, qualquer ajuda faz diferença. Por outro lado, há quem defenda que o país precisa encontrar soluções estruturais, capazes de reduzir os preços de forma permanente.
Mas o que mais chamou atenção após a visita não foi apenas a crítica ao programa social. Nikolas também respondeu a declarações recentes de Eduardo Bolsonaro, que havia questionado o nível de apoio político dele e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao senador Flávio Bolsonaro. Eduardo sugeriu, em entrevista ao SBT News, que ambos estariam se afastando de uma possível candidatura futura.
Nikolas reagiu com firmeza, mas sem elevar demais o tom. Disse que não esqueceu sua trajetória e que tem plena consciência dos momentos difíceis que enfrentou nos últimos anos. Também saiu em defesa de Michelle, afirmando que ela tem o direito de viver esse momento com tranquilidade, longe de pressões públicas.
Segundo reportagem do O Globo, o deputado afirmou ainda que prefere não alimentar conflitos internos e que sua prioridade seria o que ele considera ser o melhor para o país. Essa fala reflete um cenário político em constante movimento, no qual alianças e posicionamentos estão sendo observados de perto, principalmente com o avanço do calendário eleitoral.
No fundo, o episódio revela algo maior do que uma simples troca de declarações. Mostra como o ambiente político brasileiro continua marcado por disputas, divergências e diferentes visões sobre o papel do Estado. De um lado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta na ampliação de programas sociais. Do outro, opositores defendem mudanças estruturais na economia.
Para quem acompanha tudo isso de fora, fica a sensação de que o país vive um momento decisivo. Entre críticas, apoios e debates, o que está em jogo não é apenas o presente, mas também o rumo que o Brasil pretende seguir nos próximos anos. E, como sempre, as próximas cenas dessa história devem continuar sendo escritas tanto nos bastidores quanto diante das câmeras.





