Notícias

Número de mortos em Juiz de Fora e Ubá sobe para 22 após temporais

As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira nas últimas horas provocaram uma tragédia de grandes proporções nas cidades de Juiz de Fora e Ubá. O temporal, que se intensificou na noite de segunda-feira, resultou em pelo menos 20 mortes confirmadas, além de dezenas de desaparecidos e centenas de desabrigados. Enchentes, deslizamentos de terra e soterramentos devastaram bairros inteiros, deixando um rastro de destruição que mobilizou equipes de resgate em uma operação contínua. A região, já saturada por precipitações acima da média, enfrenta agora uma das piores crises climáticas de sua história recente.

Em Juiz de Fora, o epicentro da catástrofe, foram registradas 16 vítimas fatais até o momento, com relatos de famílias inteiras soterradas em deslizamentos. Bairros como Nossa Senhora de Lourdes e Santa Rita acumularam mais de 180 milímetros de chuva em poucas horas, superando em muito a média esperada para o mês. Ruas transformadas em rios caudalosos arrastaram veículos e destruíram residências, enquanto pontes e vias públicas ficaram intransitáveis. Os bombeiros concentram esforços em buscas por cerca de 45 desaparecidos, utilizando cães farejadores e equipamentos pesados para acessar áreas isoladas.

Na vizinha Ubá, o cenário não é menos alarmante, com quatro óbitos confirmados e inundações que afetaram o centro da cidade e bairros periféricos. O volume de precipitação ultrapassou 160 milímetros, causando o transbordamento de rios e córregos, o que forçou a evacuação de moradores em áreas de risco. Estruturas comerciais e residenciais foram danificadas, e serviços essenciais, como o abastecimento de água e energia, enfrentam interrupções em vários pontos. A prefeitura local suspendeu atividades esportivas e atendimentos em unidades de saúde, priorizando o suporte às vítimas e a reorganização urbana.

Diante da gravidade da situação, a prefeita de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública na madrugada desta terça-feira, medida que facilita a alocação de recursos emergenciais e a intervenção federal. Aulas na rede municipal foram suspensas, e abrigos temporários foram montados em escolas e ginásios para acolher mais de 400 desabrigados. O governo estadual de Minas Gerais, por sua vez, anunciou luto oficial de três dias em homenagem às vítimas, reforçando o apoio com equipes adicionais de defesa civil e suprimentos básicos para as regiões afetadas.

Os impactos humanos da tragédia vão além das perdas materiais, com famílias desestruturadas e comunidades em luto coletivo. Relatos de sobreviventes descrevem cenas de pânico, como o resgate de crianças de casas inundadas e a busca desesperada por parentes desaparecidos. A solidariedade tem se manifestado por meio de doações de alimentos, roupas e itens de higiene, coordenadas por voluntários e organizações não governamentais, que atuam em parceria com as autoridades para mitigar o sofrimento imediato.

O contexto climático agrava a preocupação: fevereiro de 2026 já é o mês mais chuvoso registrado em Juiz de Fora, com acumulados superiores a 580 milímetros, o dobro do esperado. Especialistas alertam para o aumento de eventos extremos devido às mudanças climáticas, o que exige investimentos em infraestrutura resilientee e planejamento urbano preventivo. Outras cidades da Zona da Mata, como Matias Barbosa, também relataram danos, ampliando o alerta para toda a região.

Enquanto as buscas continuam e a chuva persiste em ritmo intermitente, a esperança reside na resiliência da população mineira e no apoio conjunto de esferas governamentais. A reconstrução demandará tempo e recursos, mas o espírito de união demonstrado até agora sugere que Juiz de Fora e Ubá se erguerão mais fortes, honrando a memória daqueles que se foram nessa dolorosa provação.

CONTINUAR LENDO →
Mostrar mais