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Michelle reage a falas de Lula sobre evangélicos: “Não pensa”

O Carnaval ainda nem esfriou e já deixou rastros que vão muito além da avenida. Nos últimos dias, uma troca indireta de declarações envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trouxe à tona o poder que a festa mais popular do país tem de influenciar também o debate político.

Tudo começou após o desfile da escola Acadêmicos de Niterói, que levou para a avenida um enredo em homenagem ao atual presidente. Entre as alas, uma em especial chamou atenção: a chamada “neoconservadores em conserva”. Com figurinos criativos e irreverentes, os integrantes apareceram caracterizados dentro de latas, numa representação artística que rapidamente virou assunto nas redes sociais e nas rodas de conversa do dia a dia.

Durante uma viagem oficial à Índia, Lula foi questionado por jornalistas sobre o significado da ala e as possíveis críticas embutidas ali. Com seu estilo já conhecido, respondeu de forma direta. Disse que não havia pensado sobre o conteúdo específico das alegorias e explicou que sua única decisão foi aceitar ou não a homenagem. Segundo ele, a criação artística é responsabilidade da escola, não do homenageado.

A resposta, porém, não passou despercebida. Pouco tempo depois, Michelle usou seu perfil no Instagram para se manifestar. Em tom crítico, afirmou que o presidente não participou da criação, mas também não se posicionou contra o que foi apresentado. Para ela, o silêncio diante da situação também carrega significado.

O episódio mostra como o Carnaval, além de ser um espetáculo cultural, continua sendo um espaço de expressão e, muitas vezes, de posicionamento. Quem já assistiu a um desfile sabe que cada detalhe é pensado com cuidado — do samba-enredo aos figurinos, passando pelos carros alegóricos. Não é raro que temas sociais, históricos e políticos estejam presentes, às vezes de forma simbólica, outras vezes mais explícita.

Aliás, basta lembrar que o Carnaval de 2026, especialmente no Rio de Janeiro, veio carregado de referências ao momento atual do país. O público, dividido entre aplausos e críticas, reagiu como sempre faz: comentando, debatendo e compartilhando opiniões online. Em grupos de família e aplicativos de mensagens, o assunto rapidamente ganhou novas interpretações.

Michelle, que é ligada ao Partido Liberal (PL), tem se mantido ativa nas redes e continua sendo uma voz relevante entre apoiadores mais conservadores. Já Lula, líder histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), mantém sua postura de valorizar manifestações culturais, mesmo quando elas provocam diferentes reações.

Outro ponto que chamou atenção foi o destino da própria escola de samba. Apesar da visibilidade conquistada, a Acadêmicos de Niterói acabou sendo rebaixada no grupo especial. A notícia surpreendeu alguns fãs, que acreditavam que o enredo forte poderia ajudar na pontuação. Mas o Carnaval tem dessas coisas — é técnico, competitivo e, ao mesmo tempo, imprevisível.

No fim das contas, o episódio reforça algo que o brasileiro já sabe bem: o Carnaval é muito mais do que festa. É expressão, é identidade e, muitas vezes, é também um espelho do país. Entre sambas, fantasias e debates, fica claro que a avenida continua sendo um espaço onde arte e realidade caminham lado a lado.

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