Revelado se houve reviravolta no caso do secretário e filhos

A semana começou com um desmentido oficial e um pedido de cautela. A Polícia Científica de Goiás veio a público para esclarecer informações que circulavam nas redes e em alguns portais sobre o caso envolvendo o então secretário de Itumbiara, Thales Machado.
Nos últimos dias, manchetes sugeriam uma possível “reviravolta” nas investigações. A narrativa indicava que os peritos poderiam estar revendo a conclusão inicial sobre quem teria sido o responsável pelas mortes dos dois filhos do secretário. A repercussão foi imediata. Em grupos de WhatsApp, perfis no Instagram e até em rodas de conversa nas praças de Itumbiara, o assunto dominou.
Diante desse cenário, a Polícia Científica decidiu se manifestar formalmente. Em nota, o órgão informou que todas as perícias criminais e médico-legais relacionadas ao caso foram concluídas ainda na mesma semana do ocorrido, em 11 de fevereiro. Segundo o comunicado, resta apenas a finalização do Laudo de Local, etapa técnica que consolida informações já coletadas.
O ponto central do esclarecimento foi direto: não há qualquer elemento novo que aponte mudança na linha de conclusão sobre a autoria. De acordo com os investigadores, as análises seguem indicando que Thales Machado foi o responsável pelas mortes dos filhos e, em seguida, pela própria.
A nota também reforça que detalhes dos laudos não serão divulgados. A justificativa é dupla: respeito ao andamento das investigações e consideração à família. Em casos como esse, a exposição excessiva costuma ampliar o sofrimento de quem já enfrenta uma perda difícil de dimensionar.
Os fatos conhecidos até agora são duros. Na manhã do dia 11, na residência da família, em Itumbiara, os dois meninos, Miguel, de 12 anos, e Benício, de 8, foram atingidos por disparos. Eles chegaram a ser socorridos e levados ao hospital. Miguel não resistiu pouco depois de dar entrada na unidade. Benício permaneceu internado por dois dias, mas também faleceu.
Antes do ocorrido, Thales teria deixado uma carta. No texto, segundo informações que vieram a público, ele menciona questões pessoais envolvendo o relacionamento com a esposa, Sarah Araújo. Sarah é filha do prefeito da cidade, Dione Araújo, o que ampliou ainda mais a repercussão do caso.
Em tempos de informação instantânea, é comum que versões paralelas ganhem força rapidamente. Um título chamativo, um vídeo curto com tom de revelação, e pronto: instala-se a dúvida. Mas, como lembrou a própria Polícia Científica, até o momento não existe qualquer reviravolta confirmada pelas equipes técnicas.
Esse episódio também reacende um debate importante sobre responsabilidade na divulgação de notícias. Em situações sensíveis, a pressa pode distorcer fatos e criar expectativas que não se confirmam. Para a população, fica a sensação de incerteza. Para os familiares, mais um peso em meio ao luto.
Enquanto isso, oficialmente, o que se tem é a manutenção da conclusão inicial das perícias. O laudo final deve consolidar tecnicamente o que já foi apurado, mas, segundo o órgão, não trará mudanças na linha principal das investigações.
Em meio a tantas especulações, o comunicado da Polícia Científica buscou colocar um ponto de equilíbrio: reafirmar o que já foi constatado e conter rumores. Em casos delicados como este, informação clara e responsabilidade pública são essenciais, tanto para preservar a memória das vítimas quanto para evitar que a dor seja ampliada por versões sem confirmação.





