Quem era Cauã Batista, promessa do taekwondo que morreu aos 18 anos

O esporte brasileiro amanheceu mais silencioso nesta quarta-feira, 25. A notícia da morte de Cauã Batista Gomes Este, de apenas 18 anos, trouxe tristeza não só para quem convivia com ele diariamente, mas também para muitos atletas e treinadores que acompanhavam sua evolução. Considerado uma das promessas da nova geração do taekwondo, Cauã estava internado no Hospital Municipal Miguel Couto, na cidade do Rio de Janeiro, onde passou seus últimos dias sob cuidados intensivos.
Durante uma semana, familiares, amigos e colegas se mobilizaram em campanhas de doação de sangue. Nas redes sociais, o nome do jovem começou a circular com mensagens de apoio e esperança. Era aquele tipo de corrente que nasce da admiração sincera. Infelizmente, mesmo com toda a torcida, a confirmação da sua partida foi divulgada, deixando um vazio difícil de explicar em palavras.
Cauã não era apenas mais um atleta em formação. Ele já competia na categoria adulta até 63 kg, um passo importante para quem ainda estava construindo sua trajetória. Representando o CT Soares Team, equipe onde treinava desde os 9 anos de idade, ele havia sido convocado para participar da Seletiva Aberta Nacional, que aconteceria no dia seguinte. Essa seletiva é conhecida por revelar talentos e abrir portas para competições maiores, inclusive no cenário internacional.
Quem acompanhava o dia a dia do atleta fala de um jovem disciplinado. Acordava cedo, conciliava estudos e treinos, e tinha uma rotina puxada, mas nunca reclamava. Pelo contrário. Segundo pessoas próximas, Cauã costumava repetir que cada treino era um passo em direção ao seu maior sonho: defender o Brasil em grandes competições.
Entre suas conquistas mais marcantes está o título da Copa Thokinim, realizado em Cachoeiras de Macacu, no ano passado. Foi uma vitória celebrada com entusiasmo por sua equipe e familiares. Já em 2024, ele alcançou a terceira colocação no ranking estadual da categoria júnior até 63 kg, consolidando seu nome como uma das apostas mais consistentes do estado.
Em nota oficial, a Confederação Brasileira de Taekwondo prestou homenagem ao atleta e destacou sua postura exemplar. A entidade descreveu Cauã como um see jovem respeitoso, dedicado e apaixonado pelo que fazia. Mais do que medalhas, ele conquistou respeito. E isso, dentro do esporte, é algo que não se mede apenas em pódios.
O CT Soares Team também compartilhou uma mensagem emocionante. Treinadores lembraram do menino que chegou ainda pequeno, cheio de energia e curiosidade, e que cresceu dentro do dojang, aprendendo não só técnicas, mas valores como disciplina, humildade e perseverança. Para eles, Cauã era o tipo de atleta que inspirava os outros sem precisar dizer muito.
Nos últimos anos, o taekwondo brasileiro tem passado por um processo de renovação, buscando novos nomes para representar o país nos próximos ciclos esportivos. Cauã fazia parte desse movimento. Sua geração carrega o peso e a esperança de manter o Brasil competitivo em um esporte que exige tanto preparo físico quanto mental.
A despedida precoce do jovem deixa uma marca profunda. Mais do que resultados, ele deixa lembranças de esforço, amizade e paixão genuína pelo esporte. Para quem conviveu com ele, fica a imagem de um garoto determinado, que entrou no tatame com coragem e saiu deixando um exemplo que vai permanecer.
Em momentos assim, o esporte nos lembra que, por trás de cada uniforme, existe uma história. E a de Cauã Batista, mesmo breve, foi intensa, verdadeira e inspiradora.





