Flávio afirma que Adélio Bispo teria seguido Carlos em clube de tiro antes de esfaquear Bolsonaro

Em uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro trouxe à tona uma alegação que reacende discussões sobre o atentado sofrido por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2018. Durante o evento, que visava confirmar a pré-candidatura de seu irmão, Carlos Bolsonaro, ao Senado por Santa Catarina, Flávio afirmou que Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada contra Jair, teria “rondado” Carlos em um clube de tiro no estado sulista meses antes do crime. Essa declaração não apenas reforça os laços da família Bolsonaro com Santa Catarina, mas também sugere uma possível conexão premeditada que, segundo Flávio, teria sido subestimada pelas investigações oficiais.
A pré-candidatura de Carlos Bolsonaro representa uma estratégia do clã para expandir sua influência política além do Rio de Janeiro. Integrando a chapa ao lado de Caroline de Toni e apoiando a reeleição de Jorginho Mello pelo PL, Carlos busca capitalizar sua imagem de defensor de valores conservadores e sua proximidade com o pai. Flávio utilizou o episódio do clube de tiro como argumento para destacar os “vínculos reais” de Carlos com o estado, transformando um fato histórico em ferramenta de narrativa eleitoral. Essa abordagem reflete como eventos passados são resgatados para fortalecer campanhas atuais em um cenário polarizado.
O atentado contra Jair Bolsonaro ocorreu em 6 de setembro de 2018, durante um ato de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais. Adélio Bispo, um ex-filiado ao PSOL, desferiu uma facada que quase custou a vida do então candidato à presidência. O incidente chocou o país e marcou o início de uma série de teorias conspiratórias, com a família Bolsonaro questionando repetidamente a versão oficial de que Adélio agiu sozinho, sem mandantes. A facada não apenas alterou o rumo da eleição, impulsionando a vitória de Bolsonaro, mas também se tornou um símbolo de vitimização política para seus apoiadores.
O clube de tiro em questão, o Clube e Escola de Tiro .38, localizado em São José, na Grande Florianópolis, era frequentado por Carlos e Eduardo Bolsonaro há anos. Em julho de 2018, apenas dois meses antes do atentado, Adélio realizou uma aula experimental no local, registrando sua presença em redes sociais. Essa visita, embora breve, foi interpretada pela família como uma ação de vigilância, com Flávio usando o termo “rondar” para implicar intenção maliciosa. O episódio adiciona uma camada de mistério ao perfil de Adélio, que na época trabalhava como garçom e tinha histórico de instabilidade mental.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal em 2018 analisaram extensivamente a visita de Adélio ao clube. Laudos periciais e depoimentos concluíram que não havia evidências concretas de que o local fosse escolhido especificamente por causa da presença dos filhos de Bolsonaro, nem indícios de um plano maior envolvendo o atentado. Adélio foi considerado inimputável por transtorno mental persistente e cumpre medida de segurança em uma penitenciária federal. Apesar disso, a família Bolsonaro continua a questionar a profundidade da apuração, alegando falhas que poderiam ocultar conexões políticas ou ideológicas.
No contexto atual, a declaração de Flávio surge em um momento de reconfiguração do bolsonarismo para as eleições de 2026. Com Jair Bolsonaro inelegível até 2030, seus filhos assumem papéis centrais na manutenção do legado familiar. A menção ao clube de tiro não só reaviva memórias traumáticas para mobilizar a base, mas também posiciona Carlos como uma figura “ameaçada” pelos mesmos inimigos do pai, fortalecendo sua candidatura em Santa Catarina. Esse uso estratégico de narrativas passadas ilustra como a política brasileira frequentemente entrelaça fatos históricos com agendas eleitorais.
Por fim, o episódio destaca a persistência de controvérsias em torno do atentado de 2018, que permanece um divisor de águas na história recente do Brasil. Enquanto Flávio e sua família insistem em reinterpretar eventos para sugerir conspirações, a ausência de provas novas mantém o debate no campo das especulações. Independentemente das motivações, declarações como essa influenciam o discurso público, moldando percepções e alianças em um ambiente político cada vez mais fragmentado.





