Primeira Mão: Lulinha fala sobre quebra de sigilo na CPMI e garante não ter nada a esconder

A decisão de quebrar os sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, movimentou o cenário político nesta quinta-feira (26). A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também aprovada no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga supostas irregularidades envolvendo descontos em benefícios do INSS. Em nota enviada à imprensa, Lulinha afirmou estar “tranquilo” diante da decisão e reiterou que não tem qualquer relação com os fatos apurados.
Segundo a defesa, a autorização da quebra de sigilo não surpreendeu, já que o nome de Lulinha vinha sendo citado nos debates políticos e em etapas preliminares da investigação. Ainda assim, os advogados sustentam que não há elementos que comprovem envolvimento direto dele nas suspeitas analisadas pela comissão. A CPMI busca esclarecer possíveis desvios em repasses de valores destinados a aposentados e pensionistas, em um caso que ganhou repercussão nacional.
O advogado Guilherme Suguimori Santos declarou que considera a medida desnecessária, uma vez que seu cliente já teria se colocado à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. De acordo com a defesa, Lulinha informou desde o início que colaboraria com qualquer solicitação do STF ou da comissão parlamentar, inclusive fornecendo documentos voluntariamente para análise. A estratégia adotada, segundo os advogados, é de transparência total.
Em nota, a defesa afirmou ter tomado conhecimento tanto da decisão da CPMI quanto da autorização judicial no inquérito que tramita no Supremo. Ainda conforme o comunicado, foi protocolado pedido formal para ter acesso integral aos autos que determinam a quebra de sigilo, com o objetivo de acompanhar detalhadamente o conteúdo da investigação. A equipe jurídica sustenta que a entrega voluntária das informações poderia ter evitado a necessidade de medidas mais amplas.
Lulinha também ressaltou que pretende colaborar integralmente com o esclarecimento dos fatos, reforçando que o fornecimento de dados financeiros e fiscais seria etapa natural para dissipar dúvidas e evitar interpretações equivocadas. A defesa argumenta que a exposição pública do caso tem sido marcada por forte polarização política, o que, na visão dos advogados, exige cautela na condução das informações.
No Congresso, a aprovação da quebra de sigilo gerou debates acalorados entre parlamentares da base governista e da oposição. Enquanto integrantes da CPMI defendem que a medida é necessária para aprofundar as apurações, aliados do governo afirmam que o procedimento deve ser conduzido com responsabilidade e respeito às garantias individuais. O episódio ampliou o clima de tensão em torno dos trabalhos da comissão, que já vinha enfrentando disputas internas sobre requerimentos e convocações.
A partir de agora, a CPMI terá acesso a extratos bancários, declarações fiscais e registros telemáticos que poderão compor o relatório final da investigação. O desfecho dependerá da análise técnica das informações coletadas e da eventual comprovação de vínculos com as suspeitas investigadas. Enquanto isso, Lulinha mantém a posição de que não teme a apuração e que a colaboração voluntária será fundamental para esclarecer definitivamente o caso.





