Moraes volta a negar pedido de Malta para visitar Bolsonaro na prisão

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de manter a negativa ao pedido de visita do senador Magno Malta ao ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a movimentar os bastidores de Brasília nesta semana. O caso, que já vinha sendo acompanhado de perto por aliados e críticos, ganhou novo capítulo após o senador protocolar um pedido de reconsideração na quarta-feira, 25 de fevereiro.
Segundo Moraes, não restam dúvidas de que houve tentativa de ingresso no estabelecimento prisional sem autorização judicial no dia 17 de janeiro. A afirmação foi direta, sem rodeios. Para o ministro, a regra é clara: qualquer visita a um custodiado em processo que tramita sob supervisão do Supremo precisa de autorização prévia. Sem isso, não há margem para flexibilização.
Magno Malta, por sua vez, sustenta outra versão. No pedido apresentado ao ministro, o senador argumenta que a decisão teria sido baseada em “premissa fática equivocada”. Ele afirma que o próprio ofício da Polícia Militar do Distrito Federal, anexado ao processo, registra que não houve entrada em área de custódia, nem descumprimento de ordem, tampouco uso de força ou de prerrogativa parlamentar.
Nos corredores do Congresso, o assunto é tratado com cautela. Parlamentares próximos a Bolsonaro defendem que o senador apenas buscava exercer um gesto de solidariedade política e pessoal. Já integrantes da base governista reforçam que o cumprimento rigoroso das normas é essencial, especialmente em casos que envolvem ex-chefes do Executivo.
O episódio ocorre em um momento delicado da política nacional. O Supremo Tribunal Federal tem sido frequentemente citado em debates acalorados nas redes sociais, principalmente quando decisões envolvem figuras de grande projeção. A manutenção da negativa por parte de Moraes reforça o entendimento de que, ao menos nesse caso, o procedimento formal prevalece sobre articulações políticas.
É importante lembrar que visitas a pessoas custodiadas, sobretudo quando envolvem autoridades ou ex-autoridades, seguem protocolos específicos. A autorização judicial não é mero detalhe burocrático. Trata-se de um mecanismo de controle institucional. Moraes destacou justamente esse ponto ao reafirmar sua decisão.
Por outro lado, o recurso apresentado por Magno Malta demonstra que o embate ainda pode render novos desdobramentos jurídicos. O senador insiste que não houve tentativa de desrespeitar qualquer determinação. Ele sustenta que não entrou na área de custódia e que não utilizou sua condição parlamentar para pressionar ou contornar regras.
Entre apoiadores de Bolsonaro, a narrativa é de que há excesso de rigor. Entre críticos, o discurso é de que a lei deve valer para todos, independentemente do cargo ou da trajetória política. Essa divisão de opiniões é reflexo do clima que o país vive desde as últimas eleições, com debates intensos e polarização ainda presente no cotidiano político.
No fim das contas, o caso vai além de uma visita negada. Ele toca em temas sensíveis como prerrogativas parlamentares, limites institucionais e a relação entre os Poderes. Enquanto isso, a sociedade acompanha. Uns com indignação, outros com aprovação, muitos apenas tentando entender os detalhes jurídicos em meio a um cenário já bastante complexo.
O fato é que, por ora, a decisão está mantida. E, como tantas outras situações envolvendo figuras centrais da política brasileira, essa também deve continuar repercutindo nos próximos dias, alimentando discussões dentro e fora do Congresso Nacional.





