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Tragédia em Itumbiara: irmãos foram mortos pelo pai enquanto dormiam, diz polícia

A cidade de Itumbiara ainda tenta assimilar o que aconteceu na noite de 12 de fevereiro. Um caso que abalou vizinhos, amigos e toda a comunidade ganhou novos detalhes nesta sexta-feira, 27, após a conclusão do inquérito da Polícia Civil de Goiás.

De acordo com o delegado Felipe Soares Sala, os irmãos Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de 8, estavam dormindo no momento em que foram atingidos dentro da própria casa. A informação foi confirmada em coletiva e trouxe um elemento ainda mais delicado à investigação: tudo indica que as crianças não tiveram chance de reação.

Segundo a apuração, o pai, Thales Naves Alves Machado, de 40 anos, teria enviado à esposa imagens dos filhos já deitados na cama, pouco antes do ocorrido. Além disso, mensagens com ameaças também teriam sido encaminhadas minutos antes. Para os investigadores, esse conjunto de provas reforça a conclusão de que os meninos estavam dormindo quando tudo aconteceu.

O intervalo de tempo analisado chama atenção. O inquérito aponta que o episódio ocorreu em cerca de 25 minutos, entre 23h36 e meia-noite. Às 23h36, Thales tentou fazer contato telefônico com a esposa pela última vez, mas não obteve resposta. Três minutos depois, às 23h39, publicou uma mensagem em rede social com acusações direcionadas à mulher e a afirmação de que levaria os filhos com ele. A postagem foi apagada menos de dez minutos depois.

É difícil não imaginar o desespero que deve ter tomado conta da família ao perceber o que estava acontecendo. Vizinhos relataram surpresa ao saber da notícia. Muitos descreviam as crianças como tranquilas, estudantes dedicados, conhecidos na vizinhança. A escola onde estudavam também manifestou pesar, suspendendo atividades em sinal de respeito nos dias seguintes.

O inquérito foi concluído como duplo homicídio seguido de autoextermínio, encerrando oficialmente a investigação policial. Do ponto de vista jurídico, o caso está finalizado. Mas, do ponto de vista humano, é impossível falar em encerramento tão simples assim.

Em tempos em que tanto se discute saúde emocional, convivência familiar e os impactos de conflitos mal resolvidos, situações como essa expõem feridas que vão além do noticiário. A rotina de uma cidade do interior, que costuma ser marcada por laços próximos e vida comunitária ativa, foi atravessada por uma notícia difícil de digerir.

Não se trata apenas de números em um relatório ou de horários registrados em um sistema. São duas histórias interrompidas cedo demais. Dois irmãos que, até poucas horas antes, seguiam a vida comum de crianças: escola, amigos, planos simples.

O delegado responsável pelo caso destacou que todas as etapas técnicas foram cumpridas, incluindo perícias e análise de mensagens. O objetivo, segundo ele, foi oferecer respostas claras à família e à sociedade, evitando especulações.

Ainda assim, perguntas emocionais permanecem. Como prevenir situações extremas? Como identificar sinais de alerta? Especialistas costumam reforçar a importância do diálogo, do acompanhamento psicológico em momentos de crise e da busca por ajuda profissional diante de conflitos intensos.

Em Itumbiara, o sentimento predominante é de tristeza. A cidade segue sua rotina, mas com a memória recente de um episódio que marcou o mês de fevereiro. Entre o silêncio das ruas e as conversas discretas nas portas das casas, fica a tentativa coletiva de compreender, acolher e, de alguma forma, seguir em frente.

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