Adolescente encontrada morta após dois meses sob cárcere familiar

A morte de uma adolescente em Porto Velho trouxe à tona uma série de questionamentos sobre a trajetória educacional e social da jovem, que havia sido retirada da escola pública há quase três anos. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), que esclareceu que o afastamento ocorreu após um pedido formal de transferência escolar. O caso, que segue sob investigação, mobiliza autoridades e chama a atenção para a importância do acompanhamento de estudantes fora do ambiente escolar.
De acordo com a Seduc, a adolescente foi desvinculada da unidade de ensino em 2022, quando a família solicitou a transferência para outro estado. O procedimento administrativo foi concluído dentro dos trâmites legais, mas, segundo familiares, a mudança nunca chegou a acontecer. A jovem permaneceria em Porto Velho, longe da escola e sem acompanhamento pedagógico regular, o que agora levanta alertas sobre possíveis falhas no monitoramento de alunos que deixam a rede estadual.
A tia da adolescente afirmou que a família acreditava que a situação escolar seria regularizada posteriormente, o que acabou não ocorrendo. Sem matrícula ativa, a jovem ficou fora do sistema educacional por um longo período, fator que especialistas apontam como preocupante. A evasão escolar, especialmente quando associada a contextos familiares complexos, pode aumentar a vulnerabilidade de crianças e adolescentes, dificultando a atuação preventiva de órgãos públicos.
Paralelamente às questões educacionais, o caso avança no campo policial. Familiares próximos seguem presos preventivamente, suspeitos de envolvimento em práticas ilegais que teriam resultado na morte da adolescente. As autoridades mantêm sigilo sobre detalhes da investigação, reforçando que o foco, neste momento, é reunir provas, ouvir testemunhas e garantir que o processo ocorra dentro da legalidade. A defesa dos investigados ainda não se manifestou oficialmente.
O episódio reacende o debate sobre a responsabilidade compartilhada entre família, escola e Estado na proteção de jovens. Para educadores, quando um estudante deixa a escola, especialmente por transferência interestadual, é fundamental que haja mecanismos de verificação para confirmar se a matrícula foi efetivada no novo destino, como no caso da suposta mudança para a Paraíba. A ausência desse acompanhamento pode resultar em longos períodos de invisibilidade institucional.
Em nota, a Seduc informou que segue colaborando com as investigações e que revisa seus protocolos internos para aprimorar o acompanhamento de estudantes transferidos ou evadidos. A secretaria destacou ainda a importância da atuação integrada com conselhos tutelares, Ministério Público e rede de assistência social, de modo a identificar situações de risco e agir de forma preventiva antes que ocorram desfechos irreversíveis.
Enquanto o caso segue em apuração, a comoção é grande entre moradores de Porto Velho, que cobram respostas e medidas concretas para evitar que situações semelhantes se repitam. A história da adolescente evidencia a necessidade de políticas públicas mais eficazes de acompanhamento educacional e social, reforçando que a permanência na escola vai além do aprendizado: é também uma ferramenta essencial de proteção, cuidado e garantia de direitos.





