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Mal nas pesquisas Lula visita Juiz de Fora e sobrevoa áreas afetadas pelas chuvas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita neste sábado, 28 de fevereiro, a cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. A agenda oficial ocorre em meio a um cenário delicado: as fortes chuvas que atingiram a região nos últimos dias deixaram 69 mortos e milhares de famílias fora de casa. A passagem do chefe do Executivo pelo município tem um simbolismo evidente. Mais do que cumprir protocolo, trata-se de demonstrar presença em um momento de dor coletiva.

Por volta do meio-dia, Lula será recebido na sede da prefeitura pela prefeita Margarida Salomão. A expectativa é que o encontro seja direto e objetivo. O município precisa de apoio financeiro, técnico e logístico para enfrentar os prejuízos e iniciar a reconstrução. Em situações assim, cada dia conta. Cada decisão também.

Depois da reunião, o presidente fará um sobrevoo nas áreas mais afetadas pelas enxurradas. As imagens vistas do alto costumam impressionar: ruas cobertas de lama, encostas marcadas por deslizamentos, casas atingidas. Na sequência, Lula participa de uma conversa com lideranças de cidades vizinhas que também sofreram impactos severos, como Ubá e Matias Barbosa. A ideia é alinhar ações conjuntas e acelerar medidas emergenciais.

Na sexta-feira, no Palácio do Planalto, Lula já havia se reunido com o ministro das Cidades, Jader Filho, para discutir a situação em Minas Gerais. Neste sábado, ele também estará acompanhado do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias. A presença de diferentes pastas sinaliza que a resposta precisa ser ampla: envolve moradia, assistência social, infraestrutura e recursos emergenciais.

A tragédia é considerada uma das mais severas já registradas na Zona da Mata. Equipes de resgate ainda procuram quatro pessoas desaparecidas. Ao todo, mais de quatro mil moradores estão desabrigados ou desalojados. Em Ubá, a Universidade Estadual de Minas Gerais estima prejuízo de cerca de R$ 10 milhões em livros e computadores após a inundação de suas instalações. São perdas materiais que se somam ao impacto emocional vivido pelas famílias.

O governo federal já anunciou a liberação de R$ 2,9 milhões para Juiz de Fora e R$ 482,4 mil para Ubá. Além disso, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, esteve pessoalmente na região com o secretário nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff, acompanhando as ações de socorro. Em visita aos bairros atingidos, Góes destacou que haverá uma força-tarefa envolvendo vários ministérios.

Outro anúncio importante veio do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Segundo ele, será destinado um auxílio de R$ 800 para cada pessoa desabrigada. Também haverá antecipação do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada, o BPC. O objetivo é garantir que as famílias tenham condições mínimas para atravessar este período difícil.

Cidades como Cataguases também enfrentam os reflexos das chuvas intensas. Em muitos bairros, moradores tentam recuperar móveis, documentos e lembranças. É uma cena que mistura esforço, cansaço e solidariedade.

A visita presidencial ocorre em um momento em que o país discute cada vez mais os efeitos das mudanças climáticas e a necessidade de planejamento urbano. Para quem vive na região, porém, o debate é menos teórico e mais urgente. O que se espera agora é agilidade na liberação de recursos, apoio técnico consistente e um plano de reconstrução que olhe para o futuro. Porque, depois da água baixar, fica o desafio de recomeçar.

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