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Mulher se nega a beijar jovem e é morta na frente do filho de 8 anos

A cidade de Campos Altos, no interior de Minas Gerais, amanheceu em silêncio nesta semana. Não aquele silêncio comum das cidades pequenas, mas um clima pesado, difícil de explicar. Na noite de segunda-feira, 23 de fevereiro, um episódio trágico interrompeu a rotina de moradores que se conhecem pelo nome e costumam conversar nas calçadas ao fim da tarde.

Priscila Beatriz Assis Teixeira, de 38 anos, foi morta dentro da própria casa. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil de Minas Gerais, o principal suspeito é um jovem de 18 anos, identificado como Matheus Vinícius de Souza. O caso é investigado como feminicídio.

De acordo com o delegado responsável, Jeferson Leal, o rapaz teria ido até a residência de Priscila para negociar a compra de um aparelho celular. A princípio, seria apenas uma conversa sobre valores, algo corriqueiro nos dias de hoje, ainda mais com o comércio informal pelas redes sociais e aplicativos de mensagem.

Em determinado momento, porém, a situação saiu do controle. Conforme o relato policial, o jovem teria tentado beijar a vítima. Diante da recusa, iniciou-se uma discussão. A investigação aponta que, durante o desentendimento, ele a atingiu com golpes de canivete. A arma foi localizada no imóvel e recolhida para perícia.

O que torna o episódio ainda mais doloroso é o fato de que o filho de Priscila, de apenas 8 anos, estava presente. A criança presenciou toda a cena. Em cidades pequenas, histórias assim atravessam as paredes e ecoam nas escolas, nos comércios, nas rodas de conversa. Não há quem fique indiferente.

Em depoimento à polícia, Matheus teria classificado o ocorrido como uma “besteira” e uma “burrice”. A declaração causou indignação entre moradores, que ainda tentam compreender como um desentendimento momentâneo pode terminar de forma tão irreversível. Segundo a corporação, ele não possuía antecedentes criminais.

Após ser ouvido na delegacia de plantão, o jovem foi encaminhado ao Presídio Regional de Araxá e permanece à disposição da Justiça. O processo seguirá os trâmites legais, com coleta de provas, laudos periciais e oitiva de testemunhas. O caso reacende discussões importantes sobre violência contra a mulher e sobre como reações impulsivas podem gerar consequências permanentes.

Nos últimos anos, o debate sobre respeito, consentimento e limites ganhou espaço nas escolas, nas redes sociais e em campanhas públicas. Ainda assim, episódios como o de Campos Altos mostram que o tema precisa ser tratado de forma contínua, dentro de casa e nas instituições.

Enquanto a investigação avança, amigos e familiares de Priscila se concentram em apoiar o filho dela, que agora enfrenta uma mudança brusca em sua vida. Em situações assim, o acolhimento psicológico e o suporte da rede de proteção social tornam-se essenciais.

A cidade, por sua vez, tenta retomar a rotina. O comércio abre as portas, as aulas continuam, mas o assunto ainda domina as conversas. Há uma sensação coletiva de perplexidade. Como algo tão simples quanto uma negociação de celular pode terminar dessa forma?

Casos como esse reforçam a importância de discutir maturidade emocional, respeito às decisões do outro e responsabilidade pelos próprios atos. Em tempos de comunicação rápida e relações cada vez mais mediadas por telas, talvez seja necessário reforçar o básico: ninguém é obrigado a aceitar avanços indesejados, e qualquer reação violenta nunca é justificável.

A tragédia em Campos Altos deixa marcas profundas. E, mais do que números ou estatísticas, lembra que por trás de cada ocorrência há famílias, histórias e sonhos interrompidos.

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