Morre ator e diretor Dennis Carvalho aos 78 anos

O ator e diretor Dennis Carvalho morreu neste sábado, aos 78 anos, no Rio de Janeiro. A notícia foi confirmada pelo Hospital Copa Star, onde ele estava internado, em Copacabana. Em nota, a unidade lamentou a perda e se solidarizou com familiares, amigos e fãs. Nas redes sociais, colegas de profissão e admiradores passaram o dia relembrando cenas, personagens e bastidores que ajudaram a construir a história da televisão brasileira.
Dennis começou cedo. Tinha apenas 17 anos quando estreou na novela “Oliver Twist”, exibida pela antiga TV Paulista, contracenando com Osmar Prado, que também dava os primeiros passos na carreira. Era o início de uma trajetória intensa. Pouco tempo depois, ele já estava na TV Tupi, participando de produções como Antônio Maria e Ídolo de Pano. No teatro, dividiu o palco com Aracy Balabanian no musical Hair, uma montagem que marcou época por sua linguagem moderna e espírito contestador.
Em 1975, recebeu um convite que mudaria seu destino. Chamado por Boni, seguiu para a Rede Globo com a promessa de que poderia também dirigir. Não era apenas um ator querendo ampliar horizontes; era alguém disposto a entender a engrenagem completa da dramaturgia. Seu primeiro grande projeto na emissora seria a versão original de Roque Santeiro, que acabou vetada pela censura da época. O episódio virou um dos capítulos mais comentados da história da TV nacional.
A partir dali, Dennis consolidou uma carreira dupla, na frente e por trás das câmeras. Como diretor, ajudou a dar ritmo e identidade a novelas que se tornaram referência. É impossível falar de teledramaturgia sem lembrar de Dancin’ Days, que capturou o clima das discotecas no fim dos anos 1970, ou da nova versão de Selva de Pedra, exibida em 1986, que prendeu o público do primeiro ao último capítulo. E, claro, de Vale Tudo, até hoje lembrada em debates sobre ética e ambição no Brasil.
Nos anos 1990 e 2000, ele seguiu ativo. Esteve à frente de produções como O Cravo e a Rosa, Celebridade e Paraíso Tropical. Também comandou o humorístico Sai de Baixo, sucesso nas noites de domingo, além das minisséries Anos Rebeldes e JK, que revisitou a trajetória de Juscelino Kubitschek.
Quem trabalhou com Dennis costuma destacar seu olhar atento e a firmeza nas decisões. Era exigente, dizem, mas também sabia reconhecer talento. Em entrevistas antigas, falava com entusiasmo sobre o processo de construir uma novela, desde a escolha do elenco até a definição da trilha sonora. Gostava de contar histórias de bastidor, lembrando que televisão é trabalho coletivo, feito por muita gente que raramente aparece.
A morte de Dennis Carvalho encerra um ciclo importante da dramaturgia brasileira. Sua trajetória atravessou diferentes fases da TV, do preto e branco às produções em alta definição, das novelas exibidas em capítulos únicos às reprises que hoje ganham novo público no streaming. Fica o legado de alguém que ajudou a moldar o jeito brasileiro de contar histórias, com emoção, conflito e, acima de tudo, humanidade.





