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Tony Ramos lamenta a morte de amigo: ‘ao meu querido…’

A televisão brasileira acordou mais silenciosa neste sábado (28). A despedida de Dennis Carvalho provocou uma onda de lembranças entre colegas de profissão, amigos e admiradores que acompanharam, de perto ou pela tela, uma trajetória marcada por trabalho intenso, carisma e liderança criativa. Entre as homenagens que ganharam destaque, uma delas veio carregada de afeto e história compartilhada: a mensagem enviada por Tony Ramos à TV Globo.

O depoimento não soou protocolar. Pelo contrário. Tony revisitou o início da amizade, ainda na antiga TV Tupi, em São Paulo, quando ambos davam os primeiros passos na dramaturgia, nos anos 1960. Era um tempo de televisão artesanal, de estúdios improvisados e sonhos grandes demais para caber nos cenários. Ali, nasceu uma parceria construída na convivência diária e na admiração mútua.

Dennis começou diante das câmeras, como galã de novelas que marcaram época. Com o passar dos anos, porém, encontrou nos bastidores um novo palco. Como diretor, ajudou a moldar a linguagem de produções que se tornaram referência, conduzindo equipes numerosas com uma autoridade tranquila, quase silenciosa. Tony fez questão de destacar esse traço: a liderança que não precisava ser imposta, porque vinha da competência e do respeito conquistado ao longo do tempo.

“Qualquer homenagem ainda será pouco”, resumiu o ator em um dos trechos mais citados de sua fala. A frase, simples e direta, sintetiza o sentimento de quem conviveu com Dennis por décadas. Não se trata apenas de reconhecer uma carreira bem-sucedida, mas de se despedir de alguém que participou ativamente da construção de tantas histórias — na ficção e fora dela.

Nos corredores dos estúdios, Dennis era lembrado pelo humor rápido, pelo olhar atento ao detalhe e pela capacidade de extrair o melhor de atores e técnicos. Muitos relatam que ele sabia ouvir, ajustar, acolher ideias. Em um meio frequentemente marcado por pressa e pressão, essa postura fez diferença e deixou marcas duradouras.

A memória do diretor também carrega momentos de profunda dor pessoal, que nunca foram escondidos do público. A perda de Guilherme, seu filho com Christiane Torloni, em 1991, atravessou sua vida de forma definitiva. Ainda assim, Dennis seguiu trabalhando, criando e contribuindo, como se o ofício fosse também uma forma de resistência e continuidade.

Nos últimos anos, em um cenário de mudanças aceleradas na televisão e no audiovisual, sua trajetória passou a ser revisitada por novas gerações de profissionais. Em entrevistas recentes, atores e diretores mais jovens citaram Dennis como referência de entrega e seriedade no trabalho, alguém que ajudou a definir padrões que ainda hoje orientam produções nacionais.

A despedida deste sábado não encerra uma história. Ela a reorganiza na memória coletiva. Dennis Carvalho permanece vivo nas novelas reprisadas, nas cenas lembradas com carinho e, sobretudo, no modo de fazer televisão que ajudou a construir. Para quem esteve ao seu lado — como Tony Ramos — e para quem acompanhou sua obra do sofá de casa, fica a sensação de gratidão. E a certeza de que alguns nomes não se apagam com o tempo: eles se transformam em legado.

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