Paulista Lotada: Bolsonaristas ocupam avenida no 1º grande ato com Flávio como pré-candidato

A Avenida Paulista voltou a ser palco de mobilização política neste domingo (1º/3). Desde o início da tarde, manifestantes ocuparam um dos principais cartões-postais de São Paulo para o primeiro grande ato bolsonarista do ano. Convocado sob o lema “Acorda, Brasil”, o protesto reúne apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e tem como principais pautas a revisão das penas impostas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, a concessão de prisão domiciliar a Bolsonaro e críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O ato marca também um novo momento no cenário político nacional. É a primeira mobilização de grande porte desde a prisão de Bolsonaro, que está detido na Papudinha, em Brasília, e ocorre em meio à consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à Presidência da República. A manifestação, inicialmente prevista para começar às 14h, reúne lideranças políticas, parlamentares e pré-candidatos, sinalizando que o evento ultrapassa o caráter de protesto e assume contornos estratégicos para 2026.
Além de Flávio Bolsonaro, confirmaram presença os governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, ambos cotados como presidenciáveis. A participação de diferentes nomes da direita reforça o caráter nacional do ato, que também ocorre em outras capitais brasileiras. A articulação foi liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais nomes da nova geração conservadora e responsável por impulsionar a convocação nas redes sociais.
Nos bastidores, porém, há divergências quanto ao tom das críticas dirigidas ao STF. Uma ala defende foco central na anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, argumentando que essa pauta tem maior potencial de unificar o público presente. Outro grupo aposta em um discurso mais incisivo, com pedidos de impeachment de ministros como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Para esses manifestantes, a mobilização deve ir além da anistia e pressionar diretamente o Judiciário.
Há ainda uma preocupação estratégica entre organizadores. Parte dos articuladores teme que um eventual processo de impeachment de ministros possa gerar efeitos políticos inesperados, inclusive fortalecendo alianças no Congresso que beneficiem o governo federal. Esse debate interno levou à elaboração de uma convocação com pautas mais amplas, incluindo defesa da harmonia entre os Poderes, combate à corrupção, críticas ao aumento de impostos e questionamentos sobre a gestão de estatais.
Para evitar possíveis problemas jurídicos, advogados ligados à organização chegaram a cogitar a assinatura de um termo de responsabilidade por parte dos oradores que subirão ao trio elétrico, estacionado na esquina da Paulista com a Rua Peixoto Gomide. A intenção é impedir falas que possam ser interpretadas como propaganda eleitoral antecipada ou ataques pessoais a instituições, preservando os limites legais do evento.
O ato também evidencia a reorganização do campo conservador para os próximos anos. Ex-ministros do governo Bolsonaro, como Rogério Marinho (PL-RN) e Gilson Machado (Podemos-PE), além de parlamentares que planejam disputar o Senado, marcaram presença. Segundo os organizadores, o evento será custeado por meio de uma vaquinha promovida por parlamentares, com orçamento estimado em R$ 130 mil para infraestrutura e aluguel do trio elétrico. Em meio a discursos, bandeiras e palavras de ordem, a Avenida Paulista se transforma novamente em termômetro da polarização política que segue marcando o país.





