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Coronel pede afastamento após morte de esposa PM

A decisão do tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, de pedir afastamento do cargo trouxe novos contornos a um caso que segue sob apuração e mobiliza autoridades e a opinião pública. O pedido foi confirmado oficialmente pela Secretaria de Segurança Pública, após a morte de sua esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 29 anos, encontrada sem vida no apartamento do casal, no bairro do Brás, região central da capital, no dia 18.

Inicialmente, o episódio foi registrado como uma morte auto provocada. Com o avanço das diligências, no entanto, surgiram elementos que levaram a investigação a adotar uma classificação mais cautelosa, tratando o fato como morte suspeita. A mudança de abordagem reflete um procedimento comum em casos sensíveis, especialmente quando há relatos de conflitos no ambiente doméstico e versões que precisam ser confrontadas com laudos técnicos.

Segundo informações repassadas à CNN Brasil, a mãe de Gisele relatou à polícia que a filha vivia sob restrições impostas pelo companheiro, incluindo regras sobre vestimenta, uso de acessórios e rotina dentro de casa. Esses depoimentos passaram a integrar o inquérito e estão sendo analisados em conjunto com outros indícios coletados pela Polícia Civil.

Na segunda-feira (2), investigadores realizaram uma reconstituição no imóvel onde o casal morava. A medida, de caráter técnico, busca esclarecer a dinâmica dos acontecimentos e confrontar os relatos apresentados com vestígios encontrados no local. A polícia informou que aguarda a conclusão de exames periciais para avançar nas conclusões do caso.

Em depoimento, o tenente-coronel afirmou que havia comunicado à esposa, na manhã do dia 18, a decisão de se separar. Segundo ele, a conversa terminou de forma tensa. Pouco depois, ao retornar a um dos cômodos do apartamento, encontrou Gisele caída e acionou imediatamente o socorro e colegas da corporação. A policial foi levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu. O oficial também recebeu atendimento psicológico no mesmo local.

Detalhes da rotina do casal nos dias anteriores também foram apresentados à polícia. O oficial relatou discussões frequentes, deslocamentos entre a capital e São José dos Campos, além de episódios de ciúmes e desgaste emocional. Em um dos dias, Gisele teria levado a filha para um passeio no Parque da Mônica, enquanto ele trabalhava nas operações de Carnaval da PM.

O relacionamento, segundo o depoimento, começou em 2023, após se conhecerem em 2021, e foi oficializado em casamento no ano seguinte. Gisele era mãe de uma menina de sete anos, de um relacionamento anterior. O tenente-coronel afirmou que arcava com as despesas da casa e que os conflitos se intensificaram após sua transferência para um batalhão metropolitano, quando teria passado a enfrentar denúncias anônimas e boatos internos, inclusive com o uso de perfis falsos em redes sociais.

Esses episódios, ainda de acordo com o relato, teriam aprofundado a crise conjugal, levando o casal a dormir em quartos separados desde agosto. Enquanto a investigação segue em curso, o afastamento do oficial ocorre “a pedido”, conforme nota oficial, e o caso permanece sob análise das autoridades, que reforçam a importância de aguardar a conclusão dos laudos e o esclarecimento completo dos fatos.

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