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Investigação da PF aponta nomes envolvidos em mesa do Banco Master

Uma planilha vinculada a uma investigação da Polícia Federal do Brasil trouxe à tona novos detalhes sobre a participação de autoridades brasileiras em um evento empresarial realizado nos Estados Unidos. O documento aponta que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além da advogada Viviane Barci de Moraes, estiveram em uma mesa associada ao Banco Master durante um jantar de gala ocorrido em 2022, em Nova York. As informações passaram a circular após a divulgação de documentos que integram a apuração conduzida pelas autoridades.

O evento em questão aconteceu durante a Lide Brazil Conference, encontro que reúne lideranças políticas, empresários e especialistas para discutir temas relacionados à economia e ao ambiente de negócios. A confraternização foi realizada em novembro de 2022 no Fasano New York, localizado na região da Quinta Avenida. Segundo registros, o restaurante abriu excepcionalmente em uma noite de domingo para receber convidados do encontro.

De acordo com a planilha mencionada na investigação, Moraes, Toffoli e Viviane Barci aparecem na organização das mesas do jantar na área identificada como “Mesa 2 Banco Master”. No mesmo espaço também estaria o empresário Nelson Tanure, citado pela investigação como possível participante indireto na estrutura societária da instituição financeira. As informações foram reunidas a partir de documentos analisados pelas autoridades responsáveis pelo caso.

O episódio ganha destaque em meio a discussões que envolvem relações institucionais e profissionais entre personagens ligados ao banco. Conforme relatos divulgados, Dias Toffoli teria negociado a venda de sua participação no Resort Tayayá para um fundo ligado a um familiar de Daniel Vorcaro, empresário associado ao Banco Master. Já o escritório de advocacia de Viviane Barci teria firmado contrato para representar juridicamente a instituição em processos de grande porte.

Outra mesa patrocinada pela instituição financeira também reuniu nomes conhecidos da política e do setor econômico. Entre os presentes estavam o ex-presidente Michel Temer, a ex-primeira-dama Marcela Temer, o economista Henrique Meirelles e o empresário e ex-governador paulista João Doria, que também é associado ao grupo organizador do encontro. A lista de convidados ainda incluiu autoridades e representantes do setor privado convidados para debates e reuniões ao longo da conferência.

Além dessas mesas patrocinadas, outros ministros e personalidades participaram do jantar em espaços sem vínculo direto com a instituição financeira. Entre eles estavam integrantes da Suprema Corte como Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, além de ex-ministros da Corte como Ricardo Lewandowski e Luís Roberto Barroso. O encontro também reuniu representantes do setor econômico, como o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy e o ex-presidente do Banco Bradesco Luiz Carlos Trabuco.

A divulgação das informações reacendeu o debate sobre a presença de autoridades públicas em eventos patrocinados por empresas privadas. Especialistas avaliam que encontros desse tipo são comuns em fóruns internacionais voltados ao diálogo entre setores público e privado. Ainda assim, a repercussão do caso reforça a atenção sobre transparência, relações institucionais e possíveis impactos dessas interações no cenário político e econômico brasileiro.

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