Mãe de jovem envolvido no caso Orelha nega acusações

A mãe do adolescente apontado pela Polícia Civil como responsável pela morte do cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, negou qualquer tentativa de ocultação de provas durante a investigação do caso. Em entrevista exclusiva ao Fantástico, divulgada neste domingo (9/2), ela afirmou que não houve interferência intencional nos procedimentos policiais e que pretende colaborar integralmente com as autoridades para esclarecer os fatos.
O incidente ocorreu no dia 4 de janeiro, quando o cão comunitário, conhecido na região, foi agredido pelo jovem de 15 anos durante a madrugada. O animal morreu no dia seguinte, provocando comoção entre moradores e defensores dos direitos dos animais, que acompanham o caso de perto desde então. A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) abriu inquérito imediatamente, buscando identificar todos os envolvidos e coletar evidências para responsabilizar legalmente o adolescente.
A suspeita de tentativa de ocultação surgiu durante a abordagem do adolescente no aeroporto, quando ele retornava de uma viagem aos Estados Unidos. Investigadores afirmaram que familiares tentaram esconder itens como um boné e um moletom que teriam sido usados pelo jovem na noite da agressão. A ação levantou questionamentos sobre a participação indireta de familiares em delitos cometidos por menores, aumentando a complexidade da investigação.
O caso rapidamente ganhou repercussão nacional, sendo debatido em meios de comunicação e redes sociais. Especialistas em direito penal juvenil destacaram a necessidade de equilibrar medidas de responsabilização do menor com a proteção de seus direitos, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Além disso, defensores dos direitos animais apontaram falhas na fiscalização de animais comunitários e a importância de políticas preventivas contra maus-tratos.
O inquérito policial foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que avaliará se será necessário solicitar diligências adicionais, como perícias complementares, reconstituições ou o depoimento de testemunhas que possam esclarecer a dinâmica do crime. A investigação busca garantir que todos os fatos sejam devidamente apurados e que a responsabilização seja proporcional aos atos cometidos.
Autoridades locais ressaltaram que a morte do cão Orelha evidencia lacunas no acompanhamento de crimes envolvendo menores e na proteção de animais comunitários. A situação reforça a necessidade de mecanismos mais eficazes para monitorar condutas de adolescentes e prevenir ocorrências semelhantes, além de fortalecer campanhas educativas sobre respeito à vida animal.
A mãe do adolescente declarou que a família está abalada emocionalmente e que nunca teve intenção de interferir na apuração do caso. Ela afirmou que todas as ações tomadas em relação ao retorno do filho do exterior foram acidentais e que sua prioridade é colaborar com as autoridades, garantindo que o inquérito seja concluído de maneira transparente e justa.
Especialistas em direito juvenil e criminologia destacam que o envolvimento de familiares em situações como essa pode impactar a responsabilização do menor, mas também ressalta-se a necessidade de abordagem educativa e preventiva. A participação ativa de pais ou responsáveis na investigação, quando feita de forma colaborativa, é crucial para esclarecer fatos e evitar distorções nos procedimentos legais.
O caso do cão Orelha continua sendo acompanhado de perto pela Polícia Civil de Santa Catarina e pelo Ministério Público. As autoridades reforçaram que a investigação permanecerá aberta até que todos os fatos sejam esclarecidos, garantindo a aplicação da lei de forma transparente. Além disso, o episódio evidencia a importância da conscientização da população sobre os direitos dos animais e a responsabilidade legal em casos de maus-tratos, servindo como alerta para a sociedade em geral.





