Sintomas de câncer ignorados: família aponta erro médico no óbito de jovem de 17 anos

A morte de Isla Sneddon, uma adolescente escocesa de apenas 17 anos, trouxe à tona um debate delicado e necessário sobre o atendimento médico oferecido a jovens com suspeita de câncer. O caso, ocorrido na Escócia, ganhou repercussão nacional e voltou a levantar questionamentos sobre protocolos de diagnóstico, prazos de espera e a forma como sintomas apresentados por adolescentes são avaliados pelo sistema de saúde.
Isla morava em Airdrie, cidade próxima a Glasgow, e faleceu em março de 2025, apenas seis meses após receber o diagnóstico de câncer de mama. Para os pais, Mark e Michelle Sneddon, a dor da perda vem acompanhada de uma convicção difícil de ignorar: a filha poderia estar viva se tivesse recebido o mesmo protocolo de atendimento aplicado a pacientes adultos.
Segundo a família, tudo começou ainda em 2022, quando Isla percebeu um nódulo no seio e procurou atendimento médico. Na época, a alteração foi tratada como algo benigno, possivelmente relacionado às mudanças hormonais comuns da adolescência. Esse tipo de interpretação, embora frequente, acabou retardando exames mais detalhados e afastando a possibilidade de uma investigação imediata.
Com o passar dos meses, os sintomas não desapareceram. Pelo contrário, o estado de saúde da jovem começou a se agravar, levando a novos atendimentos e, finalmente, a um encaminhamento hospitalar. Mesmo assim, conforme relatam os pais, a solicitação de uma biópsia não recebeu caráter de urgência. O motivo apontado teria sido a idade da paciente, já que protocolos pediátricos seguem critérios diferentes dos adotados para adultos.
O diagnóstico definitivo veio tarde demais. Quando o câncer foi confirmado, a doença já havia se espalhado para regiões vitais do corpo, incluindo pulmões, linfonodos e o revestimento do coração. Seis meses depois, Isla morreu, deixando não apenas uma família devastada, mas também uma série de perguntas sem resposta.
Abalados, mas determinados, Mark e Michelle decidiram transformar o luto em ação. O casal iniciou uma mobilização para que a legislação e as diretrizes de saúde sejam revistas. A principal reivindicação é clara: encaminhamentos pediátricos com suspeita de câncer devem seguir os mesmos prazos máximos de espera aplicados a pacientes adultos. Para eles, a diferença de critérios não faz sentido diante do risco envolvido e pode custar vidas.
O caso reacendeu discussões que já vinham sendo levantadas por especialistas e entidades de saúde, especialmente sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama em jovens. Embora seja menos comum nessa faixa etária, a doença existe e, quando ignorada ou subestimada, pode evoluir de forma rápida e agressiva.
Em nota, o governo da Escócia informou que novas diretrizes sobre câncer já foram publicadas recentemente e que as autoridades de saúde irão analisar a petição apresentada pela família Sneddon. O posicionamento oficial reconhece a importância do debate e a necessidade de avaliar possíveis falhas no sistema.
A história de Isla Sneddon vai além de um caso isolado. Ela expõe fragilidades, provoca reflexões e reforça a urgência de revisar protocolos médicos, especialmente quando se trata de jovens. Em tempos em que a informação circula rápido e a medicina avança, a expectativa é que nenhuma suspeita grave seja tratada com menos atenção por causa da idade. Afinal, quando o assunto é saúde, tempo pode significar tudo.





