EUA devem considerar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas nos próximos dias, diz UOL

O governo dos Estados Unidos está prestes a adotar uma medida significativa no combate ao crime organizado transnacional, ao classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras. Essa decisão, aguardada para os próximos dias, reflete uma estratégia mais agressiva da administração Trump para lidar com facções criminosas que operam além das fronteiras, equiparando-as a grupos como cartéis mexicanos e venezuelanos. A designação permitiria a imposição de sanções financeiras rigorosas e o congelamento de ativos nos EUA, impactando diretamente as operações financeiras dessas organizações.
O Comando Vermelho e o PCC são duas das maiores facções criminosas do Brasil, com origens nas prisões e expansão para o tráfico de drogas, armas e outros crimes. O CV, fundado no Rio de Janeiro na década de 1970, controla territórios urbanos e tem alianças internacionais, enquanto o PCC, surgido em São Paulo nos anos 1990, se consolidou como uma rede sofisticada com presença em vários países da América Latina. Ambas as organizações são responsáveis por ondas de violência, incluindo rebeliões prisionais e confrontos com forças de segurança, que resultam em milhares de mortes anualmente.
A motivação dos EUA para essa classificação vai além do combate ao narcotráfico, abrangendo preocupações com a segurança nacional. Relatórios de inteligência indicam que essas facções financiam atividades que ameaçam a estabilidade regional, com ligações a lavagem de dinheiro e corrupção em instituições. Ao rotulá-las como terroristas, Washington busca justificar intervenções mais diretas, como cooperação com agências internacionais para rastrear fluxos financeiros e interromper rotas de contrabando que afetam o mercado norte-americano de drogas.
Discussões sobre essa medida vêm ocorrendo há meses, com pressões diplomáticas sobre o Brasil para alinhar-se à visão americana. Em 2025, propostas semelhantes foram debatidas, mas o governo brasileiro resistiu, argumentando que a legislação nacional exige motivação ideológica para o enquadramento como terrorismo, o que não se aplica a grupos puramente criminosos. Essa divergência destaca tensões entre as abordagens jurídicas dos dois países, onde os EUA priorizam a flexibilidade para ações antiterrorismo.
A rejeição brasileira anterior reflete preocupações com soberania e possíveis repercussões internas. Autoridades em Brasília temem que a designação incentive intervenções estrangeiras em assuntos de segurança pública, além de complicar parcerias bilaterais. No entanto, com a finalização da documentação no Departamento de Estado americano e aprovações de várias agências, o anúncio parece inevitável, independentemente da posição oficial do Brasil.
As consequências dessa classificação podem ser amplas, incluindo o bloqueio de remessas financeiras para membros das facções nos EUA e maior vigilância sobre empresas ligadas a elas. Isso poderia enfraquecer as operações internacionais do CV e do PCC, forçando-os a buscar novas alianças ou rotas, mas também gerar retaliações violentas no Brasil. Analistas preveem um aumento na cooperação entre polícias federais, com foco em inteligência compartilhada para desmantelar redes.
Por fim, essa iniciativa dos EUA sinaliza uma era de maior integração no combate ao crime organizado na América, mas levanta questões sobre a eficácia de rotular criminosos como terroristas. Enquanto pode trazer benefícios a curto prazo, como redução no fluxo de drogas, o sucesso dependerá de ações coordenadas e investimentos em prevenção social, evitando que novas facções preencham o vácuo deixado pelas antigas.



