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PF prende Alessandro Carracena, aliado de Flávio Bolsonaro, por elo com o Comando Vermelho

A política do Rio de Janeiro voltou ao centro de um debate delicado nesta segunda-feira (9). A Polícia Federal realizou uma nova etapa de uma investigação que já vinha sendo acompanhada com atenção por quem observa a relação entre poder público e segurança no estado. No centro da operação está a prisão de Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes e figura conhecida nos bastidores da política fluminense.

A ação recebeu o nome de Operação Anomalia e faz parte de um conjunto maior de investigações que tentam entender como organizações criminosas podem tentar se aproximar da estrutura do Estado. O caso chamou atenção porque Carracena era considerado um dos nomes ligados às indicações políticas do senador Flávio Bolsonaro no governo do atual governador Cláudio Castro.

Para quem acompanha a política carioca, a notícia não passou despercebida. A prisão levanta uma discussão que já aparece há anos em relatórios e debates públicos: até que ponto grupos criminosos tentam buscar proteção ou influência dentro da própria máquina pública.

Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta para um esquema que envolveria pedidos de interferência em ações policiais e tentativas de obter informações privilegiadas sobre operações. Em outras palavras, o objetivo seria antecipar movimentações do Estado ou evitar presença policial em determinados territórios.

As provas que sustentam essa nova fase surgiram a partir de outra investigação anterior, conhecida como Operação Zargun. Foi a partir dela que os investigadores encontraram conversas consideradas importantes para entender o funcionamento desse suposto núcleo de influência.

Entre os nomes citados nos diálogos aparece Gabriel Dias de Oliveira, conhecido pelo apelido de “Índio do Lixão”. De acordo com a Polícia Federal, mensagens atribuídas a ele mencionam encontros e conversas com pessoas ligadas ao governo estadual, nas quais seriam discutidos pedidos de proteção política.

Outro ponto que chamou atenção nesta nova fase da operação foi a prisão de Fabrizio José Romano, delegado da própria Polícia Federal. O fato de um agente da instituição aparecer entre os investigados reforça a preocupação das autoridades com possíveis tentativas de infiltração em órgãos públicos.

Para entender melhor o peso político do caso, vale lembrar a trajetória de Carracena na administração pública. Advogado de formação, ele ocupou cargos considerados estratégicos ao longo dos últimos anos. Além de ter sido secretário de Esportes no governo estadual, também participou de conselhos ligados à Guarda Municipal e à área de ordem pública da prefeitura do Rio.

Durante a pandemia, por exemplo, ele chegou a integrar estruturas de apoio em decisões administrativas da capital fluminense. Esse histórico de cargos mostra que Carracena transitava por diferentes áreas da gestão pública.

A operação atual também se conecta a uma estratégia maior que envolve decisões do Supremo Tribunal Federal. Parte das investigações está ligada às medidas derivadas da ADPF 635, decisão que ficou conhecida popularmente como “ADPF das Favelas”. Entre outros pontos, ela buscou reorganizar protocolos de segurança pública e incentivar ações de inteligência contra o crime organizado.

Dentro desse contexto, foi criada a chamada Missão Redentor II, força-tarefa voltada para identificar estruturas financeiras, políticas e logísticas que possam beneficiar facções criminosas.

Além das prisões realizadas nesta segunda-feira, a Polícia Federal também cumpriu mandados de busca e apreensão e determinou o afastamento de funções públicas de investigados que ainda ocupavam cargos.

Até o momento, nem o senador Flávio Bolsonaro nem o governador Cláudio Castro divulgaram posicionamentos detalhados sobre essa nova etapa da investigação. Outro nome citado nas apurações, Gutemberg Fonseca, segue sendo investigado.

O caso ainda está em fase inicial de desdobramentos, e muitas informações devem surgir nos próximos dias. Ainda assim, o episódio reacende um debate importante: a necessidade de vigilância constante para que estruturas públicas permaneçam protegidas de interesses externos que tentem se aproximar do poder político.

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