Jornal Nacional expõe contrato de esposa de Moraes com o Banco Master

O Jornal Nacional, principal telejornal da TV Globo, dedicou parte de sua edição de 9 de março de 2026 a repercutir um contrato milionário envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o Banco Master. A matéria destacou uma nota oficial divulgada pelo escritório no mesmo dia, quebrando meses de silêncio sobre o assunto, que havia sido revelado inicialmente pelo jornal O Globo em dezembro de 2025. O contrato, estimado em até R$ 129 milhões, gerou debates sobre possíveis conflitos de interesse no Judiciário brasileiro.
De acordo com as informações apresentadas, o acordo entre o escritório Barci de Moraes e o Banco Master foi firmado em fevereiro de 2024 e vigorou até novembro de 2025, quando o banco entrou em liquidação extrajudicial. Os pagamentos mensais giravam em torno de R$ 3,5 milhões a R$ 3,6 milhões, totalizando o montante elevado ao longo de quase três anos. A nota do escritório esclareceu que os serviços prestados incluíam consultoria jurídica ampla, com a elaboração de 36 pareceres em áreas como direito regulatório, compliance, previdenciário e contratual, além de participação em 94 reuniões e revisão de políticas internas da instituição financeira.
O Banco Master, comandado pelo empresário Daniel Vorcaro, está no centro de um escândalo de fraudes financeiras investigado pela Polícia Federal. Vorcaro foi preso em operações recentes, acusado de irregularidades que levaram à intervenção do Banco Central e à liquidação da entidade. A conexão com o escritório de Viviane Barci de Moraes surgiu em meio a essas investigações, levantando questionamentos sobre a transparência e a ética em contratos envolvendo familiares de autoridades judiciais, embora não haja indícios diretos de irregularidades no acordo em si.
Na nota oficial lida no Jornal Nacional, o escritório enfatizou que nunca atuou em causas no STF relacionadas ao Banco Master ou a Vorcaro, garantindo que não houve qualquer interferência em processos judiciais. Além disso, foi destacado que o contrato foi suspenso imediatamente após a liquidação do banco, e que todos os serviços foram prestados de forma legal e documentada. Essa manifestação veio após pressões de veículos de imprensa e de setores da sociedade civil, que cobravam explicações sobre os valores envolvidos.
A cobertura do Jornal Nacional incluiu um resumo do contexto histórico, mencionando a revelação inicial pelo O Globo e as implicações para a imagem do Judiciário. Apresentadores como William Bonner e Renata Vasconcellos comentaram a nota, pontuando que ela representa uma resposta formal, mas que o tema continua a gerar discussões em esferas políticas e jurídicas. O telejornal evitou tom sensacionalista, focando em fatos e declarações oficiais para informar o público.
Repercussões nas redes sociais e em outros meios de comunicação foram imediatas, com postagens viralizando trechos da matéria e debates sobre a necessidade de maior regulação em contratos privados de familiares de ministros. Opositores ao STF usaram o episódio para criticar possíveis conflitos de interesse, enquanto defensores argumentaram que o contrato é uma atividade profissional legítima, sem relação com as funções do ministro Alexandre de Moraes.
Até o momento, não há investigações formais abertas contra o escritório ou a esposa do ministro relacionadas a esse contrato, mas o caso ilustra os desafios de conciliar carreiras privadas com cargos públicos de alto escalão. Com a continuidade das apurações sobre o Banco Master, novos desdobramentos podem surgir, mantendo o tema em evidência no noticiário nacional.





