Lula liga para o filho Lulinha e faz pedido

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, na última terça-feira, 3 de março de 2026, com uma orientação clara: manter distância do governo federal em meio às investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A conversa ocorreu poucos dias após a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS autorizar a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do filho do presidente, sinalizando a preocupação do Planalto em blindar a administração de qualquer associação com o caso.
Na ligação, Lula teria pedido que Lulinha assumisse pessoalmente as explicações e responsabilidades relacionadas às suspeitas, deixando explícito que o episódio não deveria ser vinculado ao governo. A orientação reflete a estratégia adotada por aliados do presidente de tratar o assunto como uma questão familiar, isolando-o das agendas oficiais e evitando que a oposição transforme o caso em munição eleitoral em um ano de eleições municipais.
A CPMI investiga um esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios previdenciários, que teria prejudicado milhares de aposentados e pensionistas. No centro das apurações está o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como o principal operador da fraude. Documentos e depoimentos colhidos pela comissão mencionam Lulinha como possível sócio oculto de Antunes, com indícios de que ele teria recebido pagamentos regulares para facilitar contatos e influências em Brasília.
Entre os elementos que intensificaram as suspeitas estão registros de viagens conjuntas entre Lulinha e o lobista, incluindo uma ida a Portugal em que Antunes teria custeado voo e hospedagem. A mudança de Lulinha para Madri, na Espanha, em meados de 2025 — coincidindo com o início das ações policiais contra o esquema — também chamou a atenção dos parlamentares, que questionam se houve tentativa de distanciamento das investigações em curso no Brasil.
As quebras de sigilo revelaram movimentações financeiras expressivas: entre 2022 e 2026, Lulinha registrou cerca de R$ 19,5 milhões em transações bancárias, com mais de 1.500 operações. Parte desses valores inclui transferências recebidas diretamente do pai, totalizando R$ 721 mil em três ocasiões entre 2022 e 2023. A comissão analisa a origem e a legalidade desses recursos, bem como a reativação de empresas durante o atual governo.
O episódio tem gerado forte repercussão política. A oposição intensifica críticas ao governo, cobrando transparência e explorando semelhanças com escândalos do passado. No PT e no entorno presidencial, há temor de que o prolongamento das investigações desgaste a imagem de Lula e complique alianças partidárias em um momento sensível da agenda eleitoral.
A defesa de Lulinha nega qualquer participação irregular, afirmando que todas as fontes de renda são lícitas, incluindo heranças e atividades empresariais legais. O filho do presidente manifestou disposição para colaborar com as autoridades, mas até o momento não figura como réu no inquérito principal. Enquanto a CPMI prossegue com depoimentos e análise de documentos, o governo federal opta pelo silêncio oficial sobre o tema, concentrando esforços em pautas prioritárias para reduzir o impacto na opinião pública.





