Flávio protocola pedido de investigação contra Haddad no Caso Master

A movimentação política em Brasília ganhou mais um capítulo nesta terça-feira, 10 de março. O senador Flávio Bolsonaro apresentou um requerimento para ampliar o escopo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que pretende investigar decisões envolvendo os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
O pedido, no entanto, vai além do que estava inicialmente previsto. O parlamentar propôs que a investigação também inclua integrantes do governo federal, entre eles o ministro da Fazenda Fernando Haddad e o ministro da Casa Civil Rui Costa. Além disso, o documento menciona o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o empresário Augusto Lima, que já foi sócio do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
A proposta surge no contexto das discussões em torno do chamado “Caso Master”, que passou a ser debatido nos bastidores políticos e também ganhou destaque na imprensa nas últimas semanas. A CPI que pretende apurar os fatos foi inicialmente sugerida pelo senador Alessandro Vieira, do MDB, após novos desdobramentos relacionados à instituição financeira.
No pedido de aditamento apresentado agora, Flávio Bolsonaro argumenta que a investigação precisa avançar para esclarecer possíveis relações institucionais, pessoais ou financeiras entre autoridades públicas e pessoas ligadas ao banco. A ideia, segundo o documento, é ampliar a análise para entender se houve algum tipo de influência ou contato que possa ter impacto sobre decisões administrativas ou institucionais.
Um dos pontos citados no requerimento chama atenção para um encontro que teria ocorrido em dezembro de 2024 entre o empresário Daniel Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto. De acordo com o texto, o objetivo seria verificar as circunstâncias dessa reunião, que supostamente não apareceu em registros públicos de agenda oficial.
O documento sugere que o encontro e eventuais interações entre autoridades e representantes do setor financeiro sejam analisados para verificar se houve reflexos sobre o funcionamento de órgãos responsáveis pela formulação e supervisão do sistema financeiro nacional. Para o senador, incorporar fatos já divulgados pela imprensa e declarações públicas ajuda a dar mais clareza sobre o que exatamente deve ser investigado.
Outro ponto destacado pelo parlamentar é a necessidade de transparência. Segundo ele, ampliar a lista de nomes permitiria que a comissão trabalhasse com um recorte mais completo da situação, evitando lacunas na apuração. Em sua avaliação, a investigação parlamentar deve buscar respostas que interessem diretamente à sociedade.
Para que a proposta avance no Senado, Flávio Bolsonaro ainda precisa reunir o apoio de pelo menos 27 senadores. Esse número de assinaturas é o mínimo necessário para que o pedido siga adiante e os novos nomes sejam oficialmente incluídos no escopo da comissão.
Enquanto isso, integrantes do governo já se manifestaram sobre o tema. Em entrevista concedida na segunda-feira, 9 de março, o ministro Fernando Haddad afirmou esperar que as investigações conduzidas pela Polícia Federal avancem e esclareçam os fatos.
Segundo ele, eventuais irregularidades relacionadas ao Banco Master não teriam ocorrido durante a gestão atual do Banco Central, comandada por Gabriel Galípolo, mas sim no período anterior, quando a instituição era presidida por Roberto Campos Neto.
Haddad declarou ainda que o andamento das apurações deverá mostrar com mais clareza em que contexto os acontecimentos ocorreram. Para o ministro, a investigação precisa identificar responsabilidades de forma precisa e baseada em informações verificadas.
Nos corredores do Congresso, o assunto já movimenta discussões entre parlamentares de diferentes partidos. Nos próximos dias, o foco deve estar justamente na coleta de assinaturas e na possibilidade de a CPI ganhar novos contornos dentro do cenário político nacional.





