Alexandre de Moraes tem número supostamente exposto

A atuação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ganhou um novo capítulo nesta semana após um documento protocolado na comissão mencionar um suposto número de telefone atribuído ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O registro foi apresentado pelo vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr. (PSB-MA), em um requerimento que solicita informações adicionais a uma operadora de telefonia. O caso chamou atenção nos bastidores políticos e ampliou o debate dentro da comissão.
No requerimento protocolado, o parlamentar afirma que o número teria sido utilizado em comunicações relacionadas ao chamado Caso Master, investigação que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o documento, o contato teria sido usado no mesmo dia em que o empresário foi preso, quando ele teria buscado comunicação com o magistrado. O deputado solicitou que a operadora Claro forneça dados cadastrais da linha telefônica para auxiliar na identificação oficial do titular do número.
Apesar da menção ao contato no documento oficial, o parlamentar não citou diretamente o nome de Alexandre de Moraes no texto do requerimento apresentado à comissão. Ainda assim, integrantes da CPMI afirmam, em conversas reservadas, que o número mencionado teria sido associado ao ministro em análises preliminares feitas no âmbito das investigações. A reportagem optou por não divulgar o telefone citado no documento para preservar informações sensíveis.
No pedido encaminhado à operadora de telefonia, Duarte Jr. argumenta que o levantamento das informações cadastrais pode ajudar a esclarecer eventuais conexões entre a linha telefônica e fatos investigados pela comissão parlamentar. Entre os dados solicitados estão o nome do titular da linha, CPF ou CNPJ vinculado, endereço de cadastro e demais informações disponíveis que possam contribuir para a apuração.
De acordo com o deputado, o objetivo é verificar se o número pode ter sido utilizado em circunstâncias relacionadas às investigações em andamento. No requerimento, ele menciona a possibilidade de que a linha tenha sido usada em comunicações que, em tese, poderiam ser analisadas dentro do contexto de possíveis tentativas de interferência nas apurações conduzidas pelas autoridades. A obtenção das informações, segundo o parlamentar, é considerada fundamental para esclarecer os fatos.
Relatos de integrantes da própria CPMI indicam que o telefone mencionado já circulava entre autoridades e parlamentares em Brasília. Alguns congressistas afirmam que tinham o contato em suas agendas pessoais, o que teria contribuído para a identificação preliminar do número dentro da investigação. Ainda assim, os dados oficiais solicitados à operadora são considerados essenciais para confirmar a titularidade da linha.
A discussão em torno do tema ganhou repercussão após reportagem da jornalista Malu Gaspar, publicada pelo jornal O Globo, apontar que a Polícia Federal teria identificado o número como sendo anteriormente associado ao ministro do Supremo. Segundo a publicação, mensagens enviadas por Daniel Vorcaro no dia de sua prisão teriam recebido respostas com formato de visualização única. O assunto continua sendo analisado pela CPMI, que pretende aprofundar as investigações nas próximas semanas.





