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Contrato de R$ 129 milhões ligado à esposa de Moraes levanta questionamentos

Uma nova divergência envolvendo informações relacionadas a um contrato milionário tem chamado atenção em meio ao debate sobre transparência e integridade no setor financeiro. Registros da Controladoria-Geral da União (CGU) indicam inconsistências entre a explicação apresentada pelo escritório da advogada Viviane Barci de Moraes e dados disponíveis na plataforma oficial do programa Pacto Brasil. O caso envolve um contrato estimado em R$ 129 milhões firmado com o Banco Master e passou a ser alvo de questionamentos após a comparação entre documentos públicos e declarações divulgadas pela defesa.

De acordo com uma nota divulgada pelo escritório da advogada, um dos serviços prestados teria sido o preenchimento de um relatório de autoavaliação do Pacto Brasil em duas datas específicas: 25 de setembro e 9 de outubro de 2025. O documento faria parte de um conjunto de atividades realizadas para a instituição financeira. No entanto, dados registrados na plataforma da CGU indicam que o formulário correspondente foi preenchido em 13 de março do ano anterior, o que representa uma diferença de cerca de seis meses em relação ao período mencionado na explicação oficial.

O chamado Pacto Brasil é uma iniciativa criada pela CGU com o objetivo de estimular empresas e entidades privadas a assumirem compromissos públicos relacionados à ética, à integridade e à transparência nas relações comerciais. O programa funciona por meio de um questionário de autoavaliação preenchido pelas próprias organizações interessadas em aderir à proposta. A partir das respostas fornecidas, as empresas passam a integrar a lista de participantes da iniciativa, podendo divulgar essa participação em seus materiais institucionais.

Entre as perguntas presentes no formulário estão questões sobre a existência de código de ética, práticas de governança corporativa, mecanismos de controle interno e políticas voltadas à prevenção de irregularidades. No caso do Banco Master, os registros indicam que todas as respostas fornecidas no questionário foram positivas. Em outras palavras, a instituição declarou possuir todos os mecanismos avaliados pelo programa naquele momento.

Outro ponto que chamou a atenção de especialistas está relacionado ao próprio código de ética da instituição. No formulário do Pacto Brasil, o banco afirmou já possuir um documento formal aprovado pela diretoria e disponível ao público. Entretanto, a versão mais recente do relatório sobre o código de ética da empresa apresenta data de 25 de março, ou seja, cerca de 12 dias após o registro do preenchimento do questionário na plataforma da CGU.

Profissionais que atuam na área de auditoria e gestão de riscos apontam que esse tipo de situação pode levantar questionamentos técnicos sobre o processo de preenchimento do formulário. O especialista em auditoria e compliance Emerson Zanin afirma que, em instituições que ainda estão estruturando políticas internas, é incomum que todas as respostas de um questionário desse tipo sejam afirmativas, especialmente em fases iniciais de implementação de programas de integridade corporativa.

Segundo ele, embora a CGU esclareça que a adesão ao Pacto Brasil não representa certificação de ética ou garantia sobre a conduta das empresas participantes, a percepção pública pode ser diferente. Para o especialista, essa distância entre a explicação técnica do programa e a interpretação do público pode representar um ponto sensível do modelo atual. Diante das divergências identificadas nos registros e nas explicações apresentadas, o caso continua despertando interesse e deve seguir no centro do debate sobre transparência e governança no ambiente corporativo e institucional brasileiro.

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