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Quaest dá banho de água fria em Lula sobre potencial eleitoral do IR

A divulgação de uma nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, nesta quarta-feira (11 de março), acabou funcionando como um verdadeiro banho de água fria para parte do governo. A expectativa dentro do Palácio do Planalto era de que a ampliação da isenção do Imposto de Renda pudesse trazer um efeito político positivo para Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente em um momento em que o debate eleitoral já começa a ganhar força.

A lógica parecia simples: ao ampliar a faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil, milhões de brasileiros deixariam de pagar o tributo. Em tese, isso significaria mais dinheiro no bolso e, consequentemente, uma percepção mais favorável do governo. Porém, os números divulgados agora mostram que a realidade ficou bem abaixo do que se imaginava.

Segundo o levantamento, 31% dos entrevistados disseram ter sido beneficiados pela nova regra. O dado praticamente não mudou em relação ao mês anterior. Em fevereiro, eram 30%. Ou seja, houve apenas uma pequena variação, que na prática não altera o cenário.

O contraste fica ainda mais evidente quando se olha para as expectativas de alguns meses atrás. Em outubro do ano passado, antes mesmo da aprovação da mudança no Congresso, 61% das pessoas acreditavam que seriam beneficiadas pela ampliação da isenção. A diferença entre expectativa e percepção real acabou sendo grande.

Outro dado que chama atenção é o sentimento de impacto no orçamento familiar. De acordo com a pesquisa, 48% dos entrevistados afirmaram não sentir diferença nenhuma na renda depois da nova regra entrar em vigor. Em fevereiro, esse número era de 50%, o que mostra que a percepção continua praticamente estável.

Já entre aqueles que disseram ter sentido algum efeito, a maioria descreveu o impacto como pequeno. Cerca de 34% afirmaram ter sido beneficiados, mas com pouco impacto no orçamento. Apenas 17% disseram perceber um aumento considerável na renda após a mudança no imposto.

Na prática, o resultado ajuda a explicar por que a medida ainda não gerou o efeito político esperado. Para muita gente, a diferença no salário líquido acabou sendo menor do que se imaginava. Em alguns casos, a redução no imposto existe, mas é pequena o suficiente para passar quase despercebida no dia a dia.

Economistas ouvidos por analistas políticos também lembram que a percepção econômica costuma depender de vários fatores ao mesmo tempo. Inflação de alimentos, preço dos combustíveis e custo de serviços continuam pesando no orçamento das famílias. Mesmo quando há algum ganho tributário, ele pode ser diluído por outras despesas.

Dentro do governo, a reforma do Imposto de Renda era vista como uma das principais iniciativas capazes de melhorar a avaliação do presidente antes da eleição. A medida também reduziu a alíquota para quem ganha até R$ 7 mil, tentando ampliar o alcance do benefício.

Mas com os números da pesquisa indicando um impacto limitado na percepção da população, aliados do governo já começam a olhar para outras pautas que possam ganhar destaque nos próximos meses.

Entre elas está a proposta que discute mudanças na jornada de trabalho, conhecida como PEC do fim da escala 6×1. A ideia, defendida por parte da base governista, é reduzir o modelo tradicional de seis dias de trabalho para um de descanso, tema que tem gerado bastante debate nas redes sociais e no Congresso.

Ainda é cedo para saber se essa proposta terá avanço rápido ou se realmente conseguirá mudar o clima político. Mas uma coisa já ficou clara com os novos números da pesquisa: a estratégia baseada apenas na isenção do Imposto de Renda não produziu o impacto popular que muitos dentro do governo esperavam.

Nos bastidores da política, isso costuma significar apenas uma coisa: novas apostas precisarão surgir antes que a campanha eleitoral esquente de vez. E, como costuma acontecer em anos de eleição, cada movimento passa a ser observado com lupa.

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