Após autorização de Moraes, Bolsonaro faz novo pedido

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou ao Supremo Tribunal Federal a antecipação de uma visita do assessor do ex-presidente norte-americano Donald Trump responsável por assuntos ligados ao Brasil. O pedido foi apresentado após o ministro Alexandre de Moraes autorizar o encontro para uma data considerada padrão dentro do calendário de visitas permitido na unidade onde Bolsonaro está custodiado.
Segundo os advogados do ex-presidente, a data inicialmente autorizada pelo magistrado inviabiliza o encontro por causa da agenda do visitante estrangeiro. A visita havia sido liberada para o dia 19 de março, que corresponde a uma quarta-feira, dia normalmente reservado para visitas na unidade do 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecida informalmente como “Papudinha”. A defesa afirma, no entanto, que esse cronograma não deveria ser tratado como algo rígido quando se trata de um encontro considerado institucional.
O visitante em questão é Darren Beattie, assessor político ligado ao círculo próximo de Trump e crítico frequente de decisões do Supremo Tribunal Federal. Ele também mantém interlocução com aliados do ex-presidente brasileiro e tem relação política com integrantes do campo bolsonarista. A agenda do assessor nos próximos dias, segundo os advogados, impediria a realização do encontro na data inicialmente autorizada pelo tribunal.
Na petição enviada ao STF, a defesa argumenta que o pedido não envolve um visitante comum ou uma alteração de agenda motivada apenas por conveniência. De acordo com os advogados, trata-se de uma tentativa de viabilizar um encontro com um integrante de alto escalão do governo norte-americano, país que mantém relações diplomáticas históricas e estratégicas com o Brasil. Por isso, a equipe jurídica sustenta que a flexibilização da data seria justificável diante da relevância política do encontro.
Para resolver o impasse, os advogados sugeriram novas opções de datas. A proposta é que a visita seja realizada no dia 16 de março, uma segunda-feira à tarde, ou no dia 17 de março, terça-feira pela manhã ou no início da tarde. Essas datas, entretanto, não coincidem com os dias regulares de visitação previstos no regulamento da unidade onde o ex-presidente está detido.
Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes ainda não respondeu ao novo pedido apresentado pela defesa. A decisão final dependerá da avaliação do magistrado sobre a possibilidade de flexibilizar o calendário de visitas diante das circunstâncias apresentadas pelos advogados do ex-presidente.
O episódio ocorre em meio a um cenário político sensível e de forte repercussão nacional, já que qualquer movimentação envolvendo Bolsonaro continua sendo acompanhada de perto por aliados, adversários políticos e observadores do cenário institucional brasileiro. O eventual encontro com o assessor ligado a Donald Trump também tende a gerar novas discussões sobre a dimensão internacional das articulações políticas relacionadas ao ex-presidente brasileiro.





