SBT se pronuncia novamente após polêmica entre Ratinho e Erika Hilton

A polêmica envolvendo o apresentador Ratinho e a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) ganhou novo capítulo nesta semana, após declarações consideradas transfóbicas transmitidas ao vivo pelo SBT. Durante o programa, Ratinho afirmou que “para ser mulher tem que ter útero”, entre outras observações que foram imediatamente interpretadas como ataque à identidade de gênero da parlamentar. A repercussão foi imediata, com ativistas, artistas e parte da imprensa condenando as falas como preconceituosas e inadequadas para um veículo de comunicação de massa.
Diante do ocorrido, Érika Hilton protocolou representações no Ministério Público por transfobia, injúria e violência política de gênero. A deputada argumentou que as declarações não apenas feriam sua dignidade pessoal, mas também configuravam discriminação contra a população trans como um todo. A ação judicial reforçou o debate sobre os limites do humor e da liberdade de expressão em programas ao vivo, especialmente quando envolvem figuras públicas.
Inicialmente, Érika Hilton revelou em entrevistas que havia recebido uma ligação da presidente do SBT, Daniela Beyruti, filha de Silvio Santos. Segundo seu relato, a conversa durou cerca de dez minutos e foi marcada por cordialidade. Daniela teria se desculpado em nome da emissora, explicado o contexto de transmissão ao vivo e garantido que providências seriam tomadas para evitar repetições do episódio.
A deputada afirmou ainda que aceitou as desculpas, destacando que as falas de Ratinho representavam uma posição isolada e não refletiam o posicionamento histórico do SBT ou da família Silvio Santos. Ela lembrou o carinho de sua família pelo canal e pelo apresentador, sugerindo que o diálogo ajudaria a superar o mal-entendido e preservar a imagem da emissora junto ao público.
Contudo, a assessoria do SBT emitiu um desmentido oficial, esclarecendo que a iniciativa do contato não partiu de Daniela Beyruti. De acordo com a emissora, foi a própria deputada quem buscou o diálogo com a presidente do canal. O comunicado reforçou que, embora o contato tenha ocorrido de fato, a versão inicial divulgada por Érika Hilton não correspondia à origem da conversa.
Paralelamente ao desmentido, o SBT divulgou nota oficial repudiando qualquer forma de preconceito e reafirmando seu compromisso com a diversidade e o respeito às diferenças. Daniela Beyruti, por sua vez, republicou em suas redes sociais conteúdos antigos de Silvio Santos defendendo a inclusão de pessoas trans, numa tentativa clara de conter danos à imagem da emissora e da família controladora.
A divergência sobre a autoria da ligação expõe as complexidades das crises de comunicação no universo midiático atual. Enquanto o contato entre as partes é consensual, a disputa narrativa revela como versões podem se desencontrar em momentos de pressão pública. O episódio serve de alerta tanto para veículos de televisão quanto para personalidades políticas sobre a importância da transparência e da responsabilidade no trato de temas sensíveis como identidade de gênero e direitos humanos.





