Flávio Bolsonaro toma decisão de grande importância

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmam que ele não pretende reagir publicamente à aproximação de partidos do Centrão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação do entorno do parlamentar é de que uma resposta direta poderia produzir o efeito contrário ao desejado, afastando ainda mais legendas estratégicas de uma eventual aliança eleitoral.
Segundo esses interlocutores, partidos como PP e União Brasil mantêm um comportamento pragmático já conhecido no cenário político nacional. A leitura feita pelo grupo de Flávio Bolsonaro é de que essas siglas costumam negociar apoio de acordo com o contexto eleitoral e institucional, o que torna precipitada qualquer reação mais dura neste momento da disputa presidencial.
Ainda de acordo com aliados, há convicção de que, ao menos parte dessas legendas, tende a se alinhar ao projeto político do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro mais adiante. O entendimento é de que o Centrão costuma aguardar definições mais claras sobre viabilidade eleitoral antes de assumir compromissos formais, evitando desgastes antecipados.
Nos bastidores, a movimentação recente do presidente Lula com lideranças do Centrão é acompanhada com atenção, mas sem alarmismo. No ano passado, Lula se reuniu com o presidente do PP, Ciro Nogueira. Já em janeiro deste ano, houve encontros entre Ciro Nogueira, o presidente do PT, Edinho Silva, e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, reforçando o esforço do Planalto para ampliar sua base de diálogo.
Enquanto evita confrontos diretos com esses partidos, Flávio Bolsonaro tem concentrado esforços em acenos ao empresariado e ao mercado financeiro. No último fim de semana, o senador publicou um artigo em que traça linhas gerais de sua futura política econômica, caso seja eleito, defendendo um forte corte de gastos públicos, descrito por aliados como um “tesouraço” fiscal.
Segundo pessoas próximas, a iniciativa teve como objetivo sinalizar compromisso com uma agenda liberal e responsabilidade fiscal. A mensagem buscou reforçar a ideia de que Flávio Bolsonaro pretende adotar uma postura econômica tão ou mais liberal do que a defendida por Jair Bolsonaro no início de seu mandato presidencial, antes da guinada a políticas de cunho mais populista.
Aliados também avaliam que o artigo serviu para diferenciar o discurso econômico do senador em relação ao atual governo e, ao mesmo tempo, preencher uma lacuna enquanto ainda não há um nome definido para assumir publicamente a formulação do programa econômico de sua campanha presidencial. A estratégia seria ocupar espaço no debate econômico desde já.
Nos bastidores políticos, há ainda a avaliação de que o posicionamento discreto em relação ao Centrão permite a Flávio Bolsonaro manter canais abertos com diferentes forças políticas, sem gerar ruídos desnecessários. A orientação é evitar declarações que possam ser usadas contra ele em negociações futuras.
Assim, a estratégia do pré-candidato tem sido combinar silêncio calculado sobre alianças partidárias com exposição seletiva de propostas, especialmente na área econômica. A aposta é que o cenário eleitoral ainda está em construção e que movimentos mais assertivos devem ocorrer apenas quando o quadro político estiver mais definido.





