Mensagens de tenente-coronel a PM morta tinham xingamentos e ameaças

O tenente-coronel Geraldo Leite Costa Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18/3) em um condomínio residencial de São José dos Campos, interior de São Paulo, suspeito de feminicídio contra a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana. A prisão foi determinada pelo Tribunal de Justiça Militar (TJM), que detalhou, em seu mandado, os episódios de violência física, psicológica e de abuso de autoridade cometidos pelo oficial.
Segundo a decisão judicial, as mensagens extraídas do celular do tenente-coronel mostram ofensas, humilhações e tentativas de controle sobre a esposa. Em um dos trechos, ele chegou a dizer que Gisele deveria “arrumar um soldado”, depreciando tanto sua condição de mulher quanto sua posição funcional dentro da corporação. Além disso, há registro de agressão física, em que ele afirma ter “enfiado a mão” nela no dia 5 de fevereiro.
O TJM descreve o relacionamento como “profundamente conflituoso”, marcado por violência doméstica repetida e condutas de intimidação. Gisele teria sofrido ameaças, atos de possessividade, monitoramento constante, isolamento social progressivo e restrições em seu ambiente de trabalho. Entre essas restrições, estava a proibição de atuar com colegas homens, configurando também violência patrimonial.
A Justiça Militar destaca ainda o uso da posição hierárquica do tenente-coronel como instrumento de dominação. Ele teria desrespeitado recomendações durante ocorrências policiais, agindo para impor sua vontade, e visitava frequentemente o local de trabalho da esposa, permanecendo por longos períodos e causando constrangimento à equipe. Essas atitudes reforçam o padrão de controle e intimidação que, segundo a investigação, fazia parte do cotidiano do casal.
Testemunhas ouvidas pela investigação confirmaram que o oficial, além de humilhar a esposa publicamente, interferia diretamente em suas atividades profissionais. O documento judicial deixa claro que a conduta de Geraldo Leite Costa Neto desmente a versão apresentada anteriormente pelo próprio oficial, que alegava não ter recebido orientações em determinados episódios.
O histórico do tenente-coronel inclui ainda uma condenação por abuso de autoridade em 2022, quando ainda era major e comandava o 29º Batalhão da Polícia Militar. Na época, ele foi responsabilizado por atos de violência e intimidação contra uma subordinada.
A prisão desta quarta-feira é mais um passo da investigação que busca esclarecer os acontecimentos que levaram ao crime e garantir que Gisele Alves Santana, e outros potenciais alvos, estejam protegidos. A decisão judicial enfatiza a gravidade do abuso de poder e da violência doméstica, reforçando a necessidade de responsabilização de quem utiliza posição hierárquica para cometer atos de violência.
O caso gerou repercussão em São José dos Campos e na corporação, levantando discussões sobre a cultura de poder dentro da Polícia Militar e a importância de mecanismos de proteção às mulheres, tanto no ambiente profissional quanto no âmbito doméstico. A prisão do tenente-coronel demonstra que atitudes abusivas e violentas, mesmo por oficiais de alta patente, não ficarão impunes, e que a justiça está atenta a comportamentos de intimidação e controle dentro de relações conjugais.





