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Morre Rayssa Maritein Bezerra, aos 44 anos

Uma grave intoxicação alimentar coletiva chocou a população de Pombal, município localizado no Sertão da Paraíba, ao longo desta semana, expondo falhas críticas na manipulação de alimentos em um estabelecimento comercial. Uma mulher perdeu a vida após consumir pizza em uma pizzaria local, enquanto mais de uma centena de outros clientes apresentaram sintomas graves de contaminação, o que levou as autoridades de saúde pública a determinarem a interdição imediata do local e o recolhimento de amostras para investigação aprofundada.

A vítima fatal foi identificada como Rayssa Maritein Bezerra e Silva, uma mulher de 44 anos residente na cidade. Ela ingeriu a pizza no domingo, 15 de março, durante o almoço ou jantar, e, poucas horas depois, começou a manifestar os primeiros sinais de intoxicação: náuseas intensas, vômitos persistentes, diarreia severa, cólicas abdominais fortes e mal-estar geral. Esses sintomas, típicos de uma contaminação bacteriana ou tóxica de origem alimentar, evoluíram de maneira acelerada e preocupante, exigindo intervenção médica urgente.

O quadro de saúde da paciente deteriorou-se rapidamente nas horas seguintes, levando à sua transferência para o Hospital Regional Senador Rui Carneiro, onde foi internada na unidade de terapia intensiva. Apesar de todos os esforços da equipe médica, que incluiu hidratação venosa agressiva, medicamentos para controle de sintomas e suporte vital, Rayssa não resistiu às complicações decorrentes da intoxicação. Ela veio a óbito na manhã de terça-feira, 17 de março, por volta das 8h59, deixando familiares, amigos e a comunidade local profundamente abalados e em estado de luto.

Paralelamente ao caso fatal, o surto de intoxicação atingiu proporções alarmantes na cidade. Pelo menos 108 pessoas — número que, conforme atualizações das autoridades, chegou a variar entre 110 e 118 dependendo do momento da contagem — procuraram atendimento emergencial em hospitais, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e postos de saúde da região. Todos os pacientes relataram ter consumido pizzas do mesmo estabelecimento nos dias anteriores, apresentando quadro clínico muito semelhante: vômitos repetitivos, diarreia, febre baixa em alguns casos, desidratação e dores abdominais intensas, o que caracterizou claramente um surto coletivo ligado ao consumo do alimento suspeito.

Diante da gravidade da situação e do risco iminente à saúde pública, a Vigilância Sanitária municipal de Pombal agiu com rapidez e eficiência. Na segunda-feira, 16 de março, o estabelecimento foi interditado preventivamente, com lacração das instalações e proibição de funcionamento até a conclusão das investigações. Equipes técnicas recolheram amostras de diversos insumos, massas, molhos, queijos, embutidos, vegetais e demais ingredientes utilizados na preparação das pizzas, além de superfícies de trabalho e utensílios, encaminhando tudo para análise laboratorial detalhada em laboratórios credenciados.

A Agência Estadual de Vigilância Sanitária da Paraíba (Agevisa) também foi acionada e realizou vistoria técnica no local, identificando múltiplas irregularidades sanitárias graves. Entre as falhas constatadas destacam-se a presença de pragas urbanas (como baratas e roedores), condições inadequadas de armazenamento de alimentos perecíveis, falta de refrigeração apropriada em alguns setores, acúmulo de sujeira em áreas de manipulação e ausência de controles rigorosos de higiene pessoal dos manipuladores, fatores que podem ter favorecido a proliferação de microrganismos patogênicos responsáveis pela contaminação.

A Polícia Civil do estado abriu inquérito policial para apurar as responsabilidades civis e criminais envolvidas no caso, investigando desde possíveis negligências na manipulação de alimentos até a ocorrência de crime contra a saúde pública. Enquanto os resultados das análises laboratoriais são aguardados para identificar o agente etiológico exato — que pode ser bactéria como Salmonella, Staphylococcus aureus, Clostridium ou toxinas pré-formadas —, o episódio serve como um alerta contundente para toda a sociedade e o setor alimentício: a necessidade imperiosa de cumprimento estrito das normas de boas práticas de fabricação, higiene rigorosa e fiscalização permanente, a fim de evitar que tragédias como essa se repitam e coloquem em risco a vida de dezenas ou centenas de pessoas.


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