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Trump faz ameaça de ataque e eleva tensão internacional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que poderá adotar medidas “muito duras” contra o Irã caso as negociações diplomáticas sobre o programa nuclear do país não avancem. Em entrevista ao site norte-americano Axios, o republicano voltou a mencionar a possibilidade de uma ação militar e disse avaliar o envio de mais um porta-aviões norte-americano ao Oriente Médio como forma de pressão sobre Teerã.

As declarações ocorrem após uma rodada de conversas entre representantes dos Estados Unidos e do Irã, realizada na última sexta-feira, em Omã. O encontro teve como foco o programa nuclear iraniano e integra uma tentativa de reabrir canais diplomáticos para conter o avanço do enriquecimento de urânio promovido pelo regime iraniano, considerado preocupante por Washington e seus aliados.

O governo norte-americano defende que o Irã limite ou suspenda o enriquecimento de urânio, diante do temor de que o país esteja próximo de desenvolver uma arma nuclear. Teerã, por sua vez, nega essa intenção e sustenta que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos, voltados à produção de energia e ao desenvolvimento científico.

Apesar do discurso duro, Trump afirmou estar otimista quanto ao resultado das negociações e disse acreditar em uma solução diplomática para o impasse. Ainda assim, fez questão de destacar que não hesitará em recorrer ao uso da força caso considere necessário, reforçando uma postura de pressão máxima semelhante à adotada em seu primeiro mandato.

Ao relembrar episódios anteriores, Trump citou os ataques realizados pelos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas em junho do ano passado. Segundo ele, à época, o Irã não acreditava que os norte-americanos levariam a ameaça adiante. “Ou chegaremos a um acordo ou teremos que fazer algo muito duro, como da última vez”, afirmou o presidente.

De acordo com Trump, as atuais negociações diferem significativamente das tentativas realizadas no primeiro semestre de 2025, quando não houve consenso entre as partes. Na avaliação do presidente, desta vez o governo iraniano demonstra maior disposição para fechar um acordo, o que teria aberto espaço para uma retomada mais concreta do diálogo.

Além da questão nuclear, a imprensa americana aponta que os Estados Unidos também pressionam o Irã a reduzir o alcance de seus mísseis balísticos e a encerrar o financiamento de grupos armados que atuam em diferentes países do Oriente Médio. Washington ainda busca influenciar pautas internas do regime iraniano, algo que Teerã rejeita de forma veemente.

O governo iraniano reconheceu estar disposto a negociar, mas condicionou qualquer avanço à ausência de pressões militares. Segundo autoridades do país, negociações sob ameaça de uso da força não serão aceitas. O Irã também deixou claro que não pretende discutir outros temas além do programa nuclear durante as conversas diplomáticas.

Paralelamente às negociações, os Estados Unidos reforçaram sua presença militar na região. Em janeiro, o porta-aviões USS Abraham Lincoln foi enviado ao Oriente Médio, e recentes manobras militares foram realizadas próximas à costa iraniana. Trump afirmou que o envio das forças ocorre por precaução, reiterando que sua preferência é evitar um conflito, mas deixando claro que a opção militar continua sobre a mesa.

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