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Ex-jornalista da Globo diz que emissora virou partido

O clima nos bastidores do jornalismo brasileiro voltou a esquentar neste fim de semana após declarações públicas do ex-jornalista da Globo Ari Peixoto. Em um comentário nas redes sociais, ele criticou duramente sua antiga emissora, reacendendo o debate sobre a atuação da mídia em meio a um cenário político cada vez mais polarizado.

A manifestação surgiu depois de um desabafo da também jornalista Neide Duarte, que questionou uma reportagem exibida pela GloboNews. O conteúdo abordava o escândalo envolvendo o Banco Master e incluía um material visual com conexões entre o empresário responsável pela instituição e diversos políticos. A crítica central, no entanto, foi a ausência de informações consideradas relevantes por parte do público — entre elas, dados públicos sobre doações eleitorais.

Segundo registros disponíveis no Portal da Transparência, o empresário teria contribuído com campanhas de figuras políticas conhecidas, como Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Para críticos, a não inclusão desse dado levanta questionamentos sobre critérios editoriais e possíveis vieses na construção das narrativas jornalísticas.

Foi nesse contexto que Ari Peixoto decidiu se posicionar. Com mais de três décadas de carreira na TV Globo, ele relembrou o período em que, segundo suas palavras, o jornalismo era marcado por rigor técnico e diversidade de opiniões. O tom nostálgico rapidamente deu lugar a críticas mais contundentes. Para ele, a emissora teria passado por uma transformação gradual ao longo dos anos.

Em sua avaliação, profissionais experientes foram deixando a casa — alguns por decisão própria, outros em meio a mudanças internas — o que teria impactado diretamente a qualidade e a pluralidade das coberturas. Ele também sugeriu que a linha editorial da empresa teria se aproximado de interesses políticos, algo que, segundo ele, destoa da função original do jornalismo.

As declarações chamaram atenção não apenas pelo conteúdo, mas também pelo momento em que foram feitas. Com o cenário político nacional se movimentando em direção às eleições, cresce a sensibilidade em torno da forma como informações são apresentadas ao público. A lembrança feita por Peixoto sobre episódios marcantes do passado, como coberturas intensas de investigações, trouxe à tona comparações inevitáveis com o presente.

Atualmente, o jornalista atua na Record TV e mantém uma coluna no portal R7. Sua fala repercutiu rapidamente nas redes sociais, dividindo opiniões. Enquanto alguns apoiaram sua visão crítica, outros defenderam a atuação da imprensa e destacaram a complexidade do trabalho jornalístico em tempos de excesso de informação.

Especialistas costumam lembrar que toda produção jornalística envolve escolhas — de pauta, abordagem e edição. Ainda assim, a cobrança por transparência e equilíbrio segue sendo um dos pilares da credibilidade no setor. Em um ambiente onde notícias circulam com rapidez e diferentes versões disputam atenção, o desafio de informar com precisão se torna ainda maior.

Independentemente de posicionamentos individuais, episódios como esse mostram que o debate sobre mídia, política e responsabilidade editorial está longe de terminar. E, ao que tudo indica, deve ganhar novos capítulos nos próximos meses.

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