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Esse é o suposto valor surpreendente que o ator Gerson Brenner recebia da Globo por invalidez

Gerson Brenner, um dos galãs mais carismáticos e promissores da teledramaturgia brasileira durante a década de 1990, manteve ao longo de quase três décadas um importante vínculo financeiro com a TV Globo, mesmo após a tragédia que interrompeu abruptamente sua carreira artística. Vítima de um violento assalto em 1998, quando foi baleado na cabeça na Rodovia Ayrton Senna enquanto viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro, o ator sofreu graves e irreversíveis sequelas que o deixaram incapacitado para o trabalho, com limitações motoras, dificuldades de fala, problemas cognitivos e dependência de cuidados constantes.

Diante dessa situação, a emissora concedeu a Brenner uma aposentadoria por invalidez, cujo valor aproximado girava em torno de R$ 5 mil mensais. Esse montante era composto basicamente por uma pensão básica de cerca de R$ 3.600, acrescida de um adicional específico pela incapacidade permanente para o exercício da profissão. O benefício representava, para muitos, um gesto de reconhecimento da Globo à trajetória do ator, que havia conquistado o público em produções marcantes como Rainha da Sucata, Deus Nos Acuda, Perigosas Peruas e Corpo Dourado, onde interpretava personagens que o transformaram em símbolo de beleza e talento da época.

No entanto, o recebimento efetivo desse auxílio gerou polêmica e questionamentos ao longo dos anos. Em 2017, reportagens revelaram que, embora o valor total depositado pela emissora chegasse próximo dos R$ 5 mil, apenas cerca de R$ 500 efetivamente chegavam às mãos de Brenner. O restante, segundo as informações da época, ficaria retido por familiares que não residiam com ele, o que gerou debates sobre a real destinação dos recursos destinados ao sustento do ator. Brenner, na ocasião, dependia intensamente de medicação contínua, sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e outros tratamentos especializados para manter uma qualidade de vida mínima, o que tornava ainda mais delicada a questão da administração financeira.

Paralelamente à pensão mensal, a TV Globo mantinha um plano de saúde vitalício para o ex-ator, garantindo cobertura integral para internações, consultas médicas, exames, procedimentos hospitalares e tratamentos de reabilitação. Esse benefício foi publicamente defendido pela filha de Brenner, Victória, em 2021, quando ela rebateu críticas direcionadas à emissora nas redes sociais. “A Globo é extremamente importante porque paga o plano de saúde vitalício do meu pai”, afirmou ela na ocasião, destacando o papel fundamental desse apoio médico em meio às complicações recorrentes de saúde enfrentadas pelo pai, incluindo pneumonias graves e outras intercorrências respiratórias que exigiam hospitalizações prolongadas.

Ao longo dos anos, sem que houvesse divulgações oficiais sobre eventuais reajustes do benefício diante da inflação acumulada e do crescente custo dos cuidados médicos especializados, essa aposentadoria e o plano de saúde continuaram a funcionar como os principais pilares de sustentação da vida reclusa de Gerson Brenner em São Paulo. Casado desde 2014 com a psicóloga Marta Mendonça, que assumiu com dedicação integral a responsabilidade pelos seus cuidados diários — incluindo alimentação por sonda em determinados períodos e suporte para locomoção com cadeira de rodas —, o ator encontrou no suporte da Globo não apenas um direito trabalhista formal, mas também um laço simbólico com a empresa que o projetou para o estrelato antes da tragédia que mudou para sempre o rumo de sua existência.

Em 2021, a família precisou recorrer a uma vaquinha online para arrecadar recursos destinados à compra de um carro adaptado, o que evidenciou as limitações financeiras enfrentadas apesar da pensão. A iniciativa, que contou com a solidariedade de fãs e admiradores, reforçou a percepção de que os valores recebidos nem sempre eram suficientes para cobrir todas as necessidades decorrentes das sequelas permanentes.

A pensão por invalidez e o plano de saúde vitalício concedidos pela TV Globo representavam, portanto, muito mais do que meros números em uma conta bancária. Eles simbolizavam o reconhecimento duradouro de uma emissora ao talento de um artista que encantou milhões de telespectadores e, ao mesmo tempo, ilustravam as complexas realidades enfrentadas por quem vive sob o peso de uma incapacidade permanente. Até o fim de sua vida, em março de 2026, esses benefícios mantiveram-se como um dos poucos vínculos remanescentes entre o galã que um dia brilhou nas telas da televisão brasileira e a grande empresa que o consagrou no auge de sua carreira, antes que um ato de violência urbana o afastasse definitivamente dos holofotes.

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