Imagem de Erika Hilton aparece em cadastro policial de suspeitas; entenda

Fotos das deputadas federais Duda Salabert e Erika Hilton foram incluídas em um álbum utilizado pela polícia para reconhecimento de suspeitos em um caso de roubo de celular ocorrido em Recife, Pernambuco. O procedimento, que deveria auxiliar na identificação da autora do crime, acabou gerando questionamentos e abriu debate sobre possíveis falhas na condução da investigação.
O caso veio à tona após Duda Salabert ser informada pela Defensoria Pública do Estado de Pernambuco, que apontou inconsistências no processo de reconhecimento fotográfico. Segundo documento encaminhado à parlamentar, o crime investigado aconteceu em fevereiro de 2025, no bairro da Boa Vista, e a etapa de identificação por imagens foi realizada semanas depois, como parte do inquérito conduzido pela Polícia Civil de Pernambuco.
As imagens das duas deputadas apareceram em um conjunto com seis fotografias apresentado à vítima como possíveis suspeitas do crime. No entanto, de acordo com a defensoria, o critério utilizado para selecionar as fotos não seguiu parâmetros técnicos adequados. O órgão afirma que a escolha teria sido baseada em características de identidade de gênero e raça, e não em semelhanças físicas objetivas com a descrição fornecida pela vítima.
A defensora pública responsável pelo caso destacou que esse tipo de procedimento pode comprometer a validade do reconhecimento. Isso porque, segundo ela, a legislação brasileira exige que a pessoa a ser identificada seja colocada ao lado de outras com características físicas semelhantes, evitando induções ou distorções no processo. Quando esse critério não é respeitado, o valor probatório do reconhecimento pode ser prejudicado.
Diante da situação, a Defensoria Pública questionou formalmente o procedimento no processo judicial em andamento. O caso tramita em uma vara criminal de Pernambuco e deverá passar por análise quanto à legalidade da prova produzida. Até o momento, não houve manifestação oficial das autoridades responsáveis pela investigação sobre os critérios adotados.
Após tomar conhecimento do episódio, Duda Salabert solicitou explicações à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco e pediu a retirada imediata das imagens dela e de Erika Hilton de qualquer material relacionado à identificação de suspeitos. A parlamentar afirmou que há indícios de discriminação institucional no caso, apontando que práticas desse tipo podem reforçar estigmas históricos contra pessoas trans.
Em posicionamento público, Erika Hilton também criticou a inclusão das fotos no álbum de suspeitos. Para ela, a situação ultrapassa um erro técnico e representa uma prática discriminatória, ao associar indevidamente a imagem de pessoas públicas e sem qualquer ligação com o crime a investigações policiais.
Especialistas apontam que o reconhecimento fotográfico é uma ferramenta sensível dentro do processo penal e deve seguir rigorosamente os critérios legais para evitar injustiças. O episódio reacende discussões sobre a necessidade de aprimorar protocolos policiais, garantindo que investigações sejam conduzidas com base em evidências objetivas e sem violar direitos fundamentais.



