Notícias

Ministério Público pede exumação do corpo do Cão Orelha

Na última segunda-feira, 9 de fevereiro, o caso envolvendo a morte do cãozinho Orelha voltou ao centro do debate público em Santa Catarina. O Ministério Público do Estado (MPSC) decidiu se manifestar oficialmente e pediu à Justiça a autorização para a exumação do corpo do animal, com o objetivo de realizar uma nova autópsia. A medida, segundo a promotoria, pode ajudar a esclarecer pontos que ainda permanecem nebulosos mesmo após a conclusão do inquérito policial.

O pedido não veio isolado. Além da exumação, o Ministério Público solicitou a continuidade das investigações, indicando que há a necessidade de novas diligências por parte da Polícia Civil. Na prática, o entendimento do MPSC é de que o caso ainda não está completamente esclarecido e que detalhes importantes podem ter passado despercebidos na primeira apuração. Essa posição reforça uma percepção que já vinha sendo comentada por parte da sociedade desde que o episódio ganhou repercussão nacional.

O caso de Orelha mobilizou pessoas de diferentes regiões do país, especialmente nas redes sociais, onde manifestações de indignação se espalharam rapidamente. A atuação da Polícia Civil, embora técnica, acabou sendo alvo de críticas, principalmente pela rapidez com que algumas conclusões foram apresentadas. Diante desse cenário, a manifestação do Ministério Público foi vista por muitos como um passo necessário para garantir que todas as informações sejam devidamente analisadas.

Procurado para comentar o novo andamento do processo, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina informou que não irá se manifestar. A justificativa é que o caso tramita em segredo de Justiça, já que envolve menores de idade. Essa restrição, apesar de gerar curiosidade, segue o que determina a legislação brasileira em situações semelhantes.

Tanto a 10ª quanto a 2ª Promotoria de Justiça da Capital concordaram que existem pontos sensíveis na investigação que precisam de esclarecimentos adicionais. Um dos aspectos levantados pelas promotorias diz respeito à possibilidade de ter havido algum tipo de coação ao longo do processo. Por esse motivo, foram solicitados novos depoimentos, que podem ajudar a entender melhor o contexto dos fatos e a dinâmica dos acontecimentos.

Para quem acompanhou o caso desde o início, vale relembrar como tudo começou. No dia 5 de janeiro, Orelha foi encontrado em estado grave, com sinais evidentes de sofrimento. Moradores da região ainda tentaram prestar socorro, mas, devido à gravidade dos ferimentos, não foi possível reverter a situação, e o animal acabou sendo sacrificado para evitar mais dor.

A partir daí, a Polícia Civil iniciou as investigações para apurar um possível caso de maus-tratos. O cachorro apresentava lesões na cabeça e em um dos olhos, o que levantou suspeitas sobre a participação de terceiros. As apurações indicaram o envolvimento de um grupo de adolescentes.

No dia 3 de janeiro, a polícia apontou um único adolescente como autor direto das agressões contra Orelha. Outros quatro adolescentes foram responsabilizados por maus-tratos contra outro cachorro, que ficou conhecido como Caramelo. A separação dos casos também gerou debates, já que parte da população questionou se todos os episódios haviam sido devidamente conectados.

Agora, com o pedido de exumação e novas diligências, o caso entra em uma nova fase. A expectativa é que, com mais análises e depoimentos, as autoridades consigam esclarecer os fatos de forma definitiva, trazendo respostas não apenas para o processo, mas também para uma sociedade que segue atenta e cobrando transparência.

CONTINUAR LENDO →
Mostrar mais