Cunhado de Vorcaro troca de advogados para tentar fazer delação premiada

O cenário das investigações sobre o Banco Master ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (25). Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e figura central nas apurações da Polícia Federal, decidiu trocar sua equipe de defesa no Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados Maurício Campos Jr., Juliano Brasileiro e João Victor Assunção deixaram seus cargos, e quem assume a partir de agora é Celso Vilardi, conhecido por atuar em casos de grande repercussão, como Mensalão, Lava Jato e também na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A mudança sinaliza uma estratégia clara: Zettel busca negociar um acordo de delação premiada. O próprio Daniel Vorcaro também já iniciou tratativas com as autoridades nesse sentido. A expectativa é que ambos possam colaborar com as investigações, trazendo detalhes sobre o esquema bilionário que teria movimentado o Banco Master nos últimos anos.
Fabiano Zettel não é um nome desconhecido do público. Antes de se envolver com o setor financeiro, foi pastor na Igreja Batista da Lagoinha. No meio empresarial, ganhou notoriedade como fundador e CEO da Moriah Asset, gestora que se apresenta como o primeiro e maior private equity focado em bem-estar no Brasil. Por meio da Moriah, tornou-se sócio de marcas como Grupo Frutaria (Frutaria São Paulo, Empório Frutaria e Néctar), Oakberry, Les Cinq, Desinchá e Super Nutrition.
Segundo a Polícia Federal, Zettel teria recebido R$ 485 milhões da Super Empreendimentos, empresa sob investigação por supostamente servir de canal de pagamentos a uma espécie de milícia privada ligada ao grupo e a agentes públicos. Apenas em 2022, os repasses somaram R$ 160 milhões, distribuídos em 264 transferências, com destaque para valores de R$ 5 milhões entre fevereiro e abril.
As movimentações financeiras e diálogos entre Zettel e Vorcaro são peças centrais na investigação. A PF busca determinar se os pagamentos tinham alguma prestação de serviço legítima ou se se tratam de irregularidades. Entre os pontos de interesse está um fundo ligado ao resort Tayayá, que contou com participação de uma empresa da família do ministro Dias Toffoli, do STF.
Zettel foi preso duas vezes. A primeira detenção, temporária, ocorreu em janeiro por ordem de Toffoli, e a segunda em março, sob supervisão de André Mendonça. Ainda assim, a notoriedade do empresário não se limita às investigações. Em 2022, foi o maior doador das campanhas de Jair Bolsonaro e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), com cerca de R$ 5 milhões, investindo R$ 3 milhões em Bolsonaro e R$ 2 milhões em Tarcísio.
O caso levanta discussões sobre o papel do poder econômico nas eleições e o impacto de grandes investidores em políticas públicas. Especialistas destacam que, embora delações premiadas sejam instrumentos essenciais para desmantelar esquemas complexos, também revelam como o financiamento de campanhas e os negócios privados podem se cruzar de forma questionável.
À medida que Zettel avança na negociação de sua delação, espera-se que detalhes sobre o funcionamento interno do Banco Master e as ligações políticas venham à tona. Para a Polícia Federal, essas informações são cruciais para abrir novos flancos na investigação e consolidar provas contra envolvidos. Em um caso que mistura finanças, política e religião, a atenção da opinião pública permanece alta, acompanhando cada passo da investigação.



