AtlasIntel: 39,5% veem aliados de Lula como mais envolvidos no Master e 28,3% os de Bolsonaro

A divulgação de uma nova pesquisa da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg trouxe mais um capítulo para o debate político que vem dominando as conversas no país nas últimas semanas. O levantamento, publicado nesta quinta-feira, 26, joga luz sobre como os brasileiros estão interpretando o chamado caso do Banco Master — e, principalmente, quem eles acreditam estar mais envolvido.
De forma direta, os números mostram um cenário dividido, mas com tendências claras. Cerca de 39,5% dos entrevistados associam o caso a aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já 28,3% apontam para pessoas próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Há ainda uma parcela menor que enxerga envolvimento do chamado Centrão, enquanto outros entrevistados preferem uma visão mais ampla, indicando que diferentes grupos políticos estariam, de alguma forma, conectados ao episódio.
Mas o que mais chama atenção não é apenas a divisão entre figuras políticas. Quando o foco se volta para instituições, o tom muda bastante. O Congresso Nacional aparece com um nível elevado de percepção de envolvimento: 71% dos entrevistados acreditam que a instituição está totalmente ou muito ligada ao caso. Logo atrás, o Supremo Tribunal Federal também surge como um dos principais alvos dessa percepção pública.
Esses dados ajudam a entender um fenômeno que vem ganhando força: a desconfiança generalizada. Não se trata apenas de apontar nomes, mas de um sentimento mais amplo em relação às estruturas de poder. O governo federal também aparece com índices relevantes, assim como o Banco Central e até administrações estaduais e municipais, ainda que em níveis diferentes.
A pesquisa ouviu pouco mais de cinco mil pessoas entre os dias 18 e 23 de março, utilizando recrutamento digital aleatório. Com margem de erro de um ponto percentual e alto nível de confiança, o levantamento é mais um indicativo de como o tema já está presente no cotidiano do brasileiro — seja nas redes sociais, nos grupos de mensagens ou nas conversas do dia a dia.
Enquanto isso, as investigações seguem avançando. A Polícia Federal do Brasil vem apurando as possíveis irregularidades envolvendo o banco e seu proprietário, Daniel Vorcaro. De acordo com informações reveladas, mensagens extraídas do celular do empresário indicam contatos frequentes com figuras conhecidas da política nacional.
Entre os nomes citados estão o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira. Também aparecem menções ao ex-governador João Doria e ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
O caso acabou alcançando até mesmo o Judiciário. O nome do ministro Alexandre de Moraes entrou no centro das discussões após a revelação de que sua esposa, Viviane de Moraes, firmou contrato com o banco. Além disso, registros de mensagens entre o ministro e o empresário vieram à tona, aumentando ainda mais a repercussão.
Outro ponto que chamou atenção envolve o ministro Dias Toffoli. Após a divulgação de que uma empresa da qual ele é sócio teria recebido recursos ligados ao banco, Toffoli optou por se afastar das investigações e, posteriormente, declarou-se impedido de participar de julgamentos relacionados ao caso.
No meio desse cenário, o presidente Lula confirmou que teve um encontro com Vorcaro em dezembro de 2024. Segundo ele, a reunião ocorreu fora da agenda oficial e teve caráter técnico, sem qualquer posicionamento político prévio.
O que se vê, no fim das contas, é um tema que mistura política, economia e percepção pública. Mais do que respostas definitivas, o momento atual parece marcado por dúvidas, interpretações e uma atenção crescente da sociedade sobre como essas relações se desenrolam nos bastidores do poder.



