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Saiu o laudo da professora atacada por aluno e um detalhe no documento parou a polícia

A morte da professora Juliana Silveira, de 41 anos, causou forte comoção em Rondônia e reacendeu o debate sobre segurança em instituições de ensino superior. A Polícia Civil confirmou nesta terça-feira (10) que a docente não resistiu aos ferimentos após ser atingida dentro do Centro Universitário Aparício Carvalho. Ela chegou a ser socorrida, mas faleceu antes de chegar ao hospital. O caso mobilizou autoridades, estudantes e toda a comunidade acadêmica, que ainda tenta compreender a dimensão do ocorrido.

De acordo com a delegada Leisaloma Carvalho, responsável pela investigação, a causa da morte foi uma perfuração no coração que provocou hemorragia interna e, consequentemente, um quadro de choque hipovolêmico — condição caracterizada pela perda significativa de sangue e comprometimento da circulação adequada no organismo. Segundo a autoridade policial, outros ferimentos identificados não teriam sido suficientes, por si só, para causar o óbito. A confirmação técnica reforça a gravidade do ataque e direciona o foco das investigações para as circunstâncias que antecederam o crime.

O suspeito, João Cândido Costa Júnior, de 24 anos, foi contido por um aluno da instituição que também é policial militar e acabou preso em flagrante. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva. Em depoimento, o jovem apresentou uma versão que está sendo analisada pela Polícia Civil. Ele afirmou que teria recebido a arma utilizada no ataque da própria professora, como parte de um presente entregue um dia antes do ocorrido. Essa declaração, no entanto, não foi confirmada pelas autoridades até o momento e segue sob apuração.

Na segunda-feira (9), a Polícia Civil convocou uma coletiva de imprensa para esclarecer pontos que passaram a circular nas redes sociais. Um dos aspectos abordados foi a alegação do suspeito de que teria mantido um relacionamento amoroso de aproximadamente três meses com a docente. Após análise de mensagens e outros elementos coletados nos celulares, os investigadores descartaram essa versão. Conforme apontado pela polícia, não foram encontrados indícios de envolvimento afetivo entre os dois.

As conversas analisadas indicam, segundo a investigação, que a professora teria deixado claro ao aluno que não havia possibilidade de qualquer tipo de relacionamento, especialmente por questões profissionais. A autoridade policial destacou que, diante desse contexto, a hipótese considerada é de que o autor tenha interpretado a situação de forma equivocada. A linha investigativa aponta que a recusa pode ter sido determinante para a ação, embora o inquérito ainda esteja em andamento e novas diligências estejam sendo realizadas.

A repercussão do caso ultrapassou os muros da universidade. Nas redes sociais, estudantes e ex-alunos compartilharam mensagens de luto, homenagens e pedidos por justiça. A comunidade acadêmica descreveu Juliana como uma profissional dedicada, respeitada pelos colegas e admirada pelos alunos. O sentimento predominante é de tristeza e incredulidade diante da perda inesperada. Familiares e amigos também receberam manifestações de solidariedade de diferentes partes do estado.

Após decretar três dias de luto e suspender completamente as atividades, o Centro Universitário Aparício Carvalho retomou as aulas na segunda-feira (9). Em nota, a instituição informou que está prestando apoio psicológico a estudantes, professores e funcionários. A direção também afirmou que irá reavaliar protocolos internos de segurança. Nas plataformas digitais, surgiram questionamentos sobre medidas preventivas e mecanismos que possam reforçar a proteção dentro do ambiente acadêmico.

Especialistas em segurança e educação destacam que episódios como esse exigem reflexão ampla e responsável. O ambiente universitário, tradicionalmente associado ao diálogo e à construção do conhecimento, também precisa investir em estratégias de prevenção, identificação de comportamentos de risco e acolhimento emocional. A criação de canais seguros para denúncias e acompanhamento psicológico são apontados como caminhos possíveis para reduzir situações de tensão.

Enquanto a investigação segue sob sigilo parcial para não comprometer o andamento do processo, a Polícia Civil reforça que trabalha com base em evidências técnicas e depoimentos. O caso permanece em análise detalhada, e novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das apurações.

A morte de Juliana Silveira deixa uma lacuna irreparável na comunidade acadêmica e reforça a necessidade de diálogo sobre segurança, saúde emocional e responsabilidade coletiva. Em meio à dor, familiares, colegas e alunos buscam respostas e aguardam que a Justiça siga seu curso, para que o caso seja plenamente esclarecido.

 

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