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Ataque em escola: aluna de 18 anos deixa mortos e dezenas de feridos

Na tarde fria de terça-feira, 10 de fevereiro, a pequena cidade de Tumbler Ridge, no interior da Colúmbia Britânica, viveu horas que jamais serão esquecidas. Por volta das 13h20, a rotina tranquila da Tumbler Ridge Secondary School foi interrompida por disparos que ecoaram pelos corredores. Em questão de minutos, o que era mais um dia comum de aula se transformou em um cenário de medo e correria.

Dez pessoas perderam a vida e mais de 25 ficaram feridas. Entre as vítimas está a própria suspeita, identificada pela imprensa canadense como Jesse Strang, de 18 anos. Ela foi encontrada sem vida dentro da escola, com indícios de que tenha tirado a própria vida. Seis mortes ocorreram nas dependências do colégio, duas em uma residência próxima e outra durante o transporte ao hospital. A dimensão do caso chocou não apenas a comunidade local, mas todo o país.

Tumbler Ridge tem cerca de 2.400 habitantes. A escola atende aproximadamente 160 estudantes. Em cidades assim, todo mundo se conhece, ou pelo menos sabe quem é quem. Isso torna o impacto ainda mais profundo. Colegas descreveram Jesse como uma jovem de cabelo castanho, geralmente discreta, pouco integrada às atividades escolares. Alguns a definiam como tranquila, reservada. Nada que, à primeira vista, indicasse um desfecho tão devastador.

Relatos divulgados pela imprensa local apontam que, antes de seguir para o colégio, ela teria tirado a vida da própria mãe e do irmão. A polícia não confirmou todos os detalhes, mas reconheceu que a sequência dos acontecimentos está sendo investigada com prioridade máxima.

Dentro da escola, alunos e funcionários reagiram como puderam. Portas foram trancadas às pressas. Mesas e cadeiras serviram de barricada improvisada. Um estudante contou à emissora local que ficou mais de duas horas escondido na sala de aula, em silêncio, enquanto aguardava o resgate. “A gente só queria que acabasse”, disse, ainda visivelmente abalado.

Do lado de fora, moradores relataram intensa movimentação policial. A ministra da Segurança Pública da província, Nina Krieger, afirmou que o destacamento local da Polícia Montada chegou ao local cerca de dois minutos após o primeiro chamado. Segundo as autoridades, essa resposta rápida foi crucial para evitar um número ainda maior de vítimas. Em situações assim, cada minuto faz diferença.

A escola permanecerá fechada nos próximos dias. O prédio será utilizado para atendimento psicológico e apoio às famílias afetadas. Equipes especializadas foram enviadas à cidade para oferecer acompanhamento emocional a estudantes, professores e parentes das vítimas. Em comunidades pequenas, o luto é coletivo.

O episódio também teve repercussão nacional. O primeiro-ministro Mark Carney cancelou compromissos internacionais para acompanhar de perto o desenrolar do caso e manifestar solidariedade às famílias. Em pronunciamento, destacou que o país precisa refletir sobre como prevenir tragédias semelhantes, mesmo diante de leis rígidas de controle de armas, frequentemente citadas como referência internacional.

Nos últimos anos, o Canadá vinha sendo apontado como exemplo de equilíbrio nesse debate. Ainda assim, episódios isolados continuam a desafiar autoridades e especialistas. O caso de Tumbler Ridge reacende discussões sobre saúde mental, segurança nas escolas e mecanismos de prevenção.

Mais do que números, porém, ficam as histórias interrompidas. Ficam as cadeiras vazias na sala de aula, os abraços que não acontecerão mais, as conversas que foram interrompidas no meio. Em uma cidade acostumada ao silêncio das montanhas e ao ritmo pacato do interior, o som daquela terça-feira ainda ecoa. E a reconstrução, emocional e social, será um processo longo, feito passo a passo, com apoio, escuta e cuidado coletivo.

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